Técnicos do governo desconfiam de recuperação comercial

Os técnicos do Ministério da Fazenda desconfiam que o bom desempenho registrado na balança comercial nas últimas semanas não seja necessariamente um sinal de recuperação do ritmo do comércio exterior brasileiro. Um texto elaborado pela Secretaria de Política Econômica (SPE), disponível na Internet, levanta a possibilidade de que, após a suspensão parcial da greve dos fiscais da Receita Federal, as exportações estejam sendo desbloqueadas mais rapidamente do que as importações. Pelas estimativas dos analistas do setor privado, o volume de importações represadas pela greve é algo perto de US$ 1 bilhão."É prematuro inferir do desempenho recente da série qualquer padrão de retomada", diz o texto, "ainda mais considerando que o fim do represamento das importações possa estar ocorrendo de forma gradual e não concentrada em alguns dias, como no caso das exportações."Os técnicos da SPE consideram que a média diária de exportações alcançada na semana passada, de US$ 239 milhões, é "alta, mas não muito acima do esperado." Comparando com julho de 2001, alguns produtos apresentaram forte crescimento em vendas ao exterior. É o caso da soja, que teve aumento de 64,7%, minérios, com 51,8% e petróleo e derivados, com 89,2%.Nas importações, que ocorreram a uma média de US$ 212 milhões, também foi registrado aumento, comparando os dados da semana com os de julho de 2001. Os técnicos consideram esse valor também alto, principalmente considerando-se a evolução da demanda interna e a evolução do câmbio real. A taxa de crescimento das compras, no exterior, de equipamentos mecânicos, foi de 17,1%, enquanto adubos e fertilizantes cresceram 17,6% e a de plásticos e obras, 10,6%. Por outro lado, as compras de combustíveis caíram 26,8% automóveis e partes, 25,5%.Para o ano de 2002, a estimativa da SPE é de um superávit comercial entre US$ 5 bilhões e US$ 6 bilhões. Dois fatores contribuirão para esse resultado: a alta do dólar ante o real, que estimula as exportações, e o baixo nível da atividade econômica interna, que reduz a demanda por importação de máquinas e matérias-primas.

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