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Técnicos do IBGE defendem divulgação de pesquisa e ampliam crise no órgão

Em carta, 45 funcionários afirmam não ser preciso suspender a Pnad Contínua para fazer ajustes, como informou a direção do instituto

Daniela Amorim, Agência Estado

14 de abril de 2014 | 17h10

Atualizado às 21h50

Enquanto os coordenadores do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) que ameaçavam uma entrega de cargos coletiva baixaram o tom após as críticas recebidas pelo instituto a reboque da suspensão das próximas divulgações da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua), técnicos envolvidos na confecção do levantamento divulgaram nesta segunda-feira uma carta aberta à população em que negam a necessidade de revisar a sua metodologia.

Segundo a carta, que joga um pouco mais de lenha na fogueira que envolveu o IBGE desde a semana passada, os dados fornecidos pela Pnad Contínua são precisos e atendem às exigências previstas na Lei Complementar n.º 143/2013, que determina o indicador como base para o rateio do Fundo de Participação dos Estados (FPE). O atendimento à lei foi a justificativa dada pelo Conselho Diretor do IBGE para suspender a divulgação da Pnad Contínua.

A carta desta segunda é assinada por 45 servidores das coordenações diretamente envolvidas na Pnad Contínua. Segundo os técnicos, mesmo se houvesse necessidade de estudos adicionais sobre a metodologia, seria possível conciliar a revisão da pesquisa com as próximas divulgações, "apesar das restrições de recursos orçamentários e humanos que afetam o instituto".

Na quinta-feira, a presidente do IBGE, Wasmália Bivar, anunciou que a próxima divulgação da Pnad Contínua, prevista para junho, estava suspensa até o ano que vem, para que pudessem ser feitas mudanças na metodologia da pesquisa. A mudança havia sido solicitada pelos senadores Gleisi Hoffmann (PT-PR) e Armando Monteiro Neto (PTB-PE), com o argumento de que havia uma diferença no cálculo da renda per capita entre os Estados que poderia suscitar questionamentos jurídicos na hora da divisão do FPE.

Exoneração. A mudança no cronograma da pesquisa motivou o pedido de exoneração de dois dos oito integrantes do conselho diretor do órgão: Marcia Quintslr, diretora de Pesquisas, e Denise Britz do Nascimento Silva, coordenadora-geral da Escola Nacional de Ciências Estatísticas (Ence). O episódio gerou uma das piores crises institucionais da história do IBGE. Em carta enviada ao conselho, 18 coordenadores e gerentes ameaçaram também pedir exoneração, numa entrega de cargos coletiva.

Nesta segunda, porém, os coordenadores, em nota, tentaram despolitizar a questão, afirmando que os trabalhos técnicos do órgão não estão sob nenhum domínio ou ingerência política e que não há suspeição sobre a integridade do conselho diretor. "Foi uma tentativa de abrir um diálogo com a direção", afirmou Cimar Azeredo, coordenador de Trabalho e Rendimento do instituto e responsável pela Pnad Contínua.

Diante da revolta dos servidores, a direção do IBGE concordou que fosse formado um grupo técnico encarregado de encontrar uma solução para manter as divulgações. Constituído ontem por técnicos que já lidam diretamente com a Pnad, o grupo começa a trabalhar já na manhã desta terça-feira. O objetivo é assegurar que a divulgação marcada para 3 de junho seja mantida.

A intenção dos coordenadores é fazer com que a decisão sobre os rumos da Pnad Contínua venha do corpo técnico do órgão, e não da direção. Quanto à irredutibilidade manifestada pela presidência do instituto em voltar atrás na decisão de suspender as próximas divulgações da Pnad Contínua, Azeredo disse que não foi o combinado com os coordenadores rebelados, na sexta-feira. "Ficou acordada a formação desse grupo técnico, e, com base no que ele avaliasse, será definido se será necessário mexer em algo ou não (na pesquisa)."

Segundo Azeredo, a debandada dos chefes de pesquisas não está em pauta no momento. "Isso foi num primeiro momento, para podermos abrir um diálogo sobre os rumos da pesquisa, cuja decisão pela suspensão foi tomada sem que o corpo técnico fosse consultado", lembrou.

Sobre a possibilidade de novos pedidos de exoneração caso a avaliação técnica não seja aceita pela direção e a suspensão seja mantida, Azeredo é cauteloso. "Um passo de cada vez. Já conseguimos abrir diálogo, agora é trabalhar para mostrar à direção que é possível realizar as próximas divulgações e fazer o aperfeiçoamento nas análises sobre rendimentos que for necessário."

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