Marcello Casal/Agência Brasil
Marcello Casal/Agência Brasil

Técnicos vão monitorar situação do Rio Tocantins

Principal reservatório do rio, o lago de Serra da Mesa está com apenas 10,8% de sua capacidade total de armazenamento

André Borges, O Estado de S.Paulo

03 Agosto 2017 | 05h00

BRASÍLIA - Os 2.830 quilômetros de extensão do Rio São Francisco deixaram de ser a única preocupação da Agência Nacional de Águas (ANA) atrelada à crise hídrica. Nesta semana, a agência criou um grupo para definir que medidas serão adotadas para evitar o colapso do Rio Tocantins. Com 2.640 quilômetros que avançam pelos Estados de Goiás, Tocantins, Maranhão e Pará, o Rio Tocantins também vive um drama sem precedentes em sua região central.

Seu principal reservatório, o lago de Serra da Mesa, entre Goiás e Tocantins, está com apenas 10,8% de sua capacidade total de armazenamento. Nesta mesma semana do ano passado, esse volume era 13,2%. Na avaliação da ANA, não restará outra saída, senão reduzir as vazões de Serra da Mesa e demais represas do rio. “Passaremos a fazer reuniões regulares para acompanhar a situação da região. É algo inédito para o Rio Tocantins”, diz o presidente da ANA, Vicente Andreu.

As reduções deverão afetar, em alguma medida, o volume de energia gerado pelas hidrelétricas em operação ao longo do Tocantins, usinas como as de Serra da Mesa, Estreito e Tucuruí. Hoje o volume de água que passa pelas turbinas da hidrelétrica de Estreito, por exemplo, é de 744 metros cúbicos por segundo, de acordo com dados ANA, mas já está claro que esse volume terá que ser reduzido nas próximas semanas.

Os cortes nos volume de água preocupam o setor elétrico, porque a redução da geração hidrelétrica implica, necessariamente, em acionar mais usinas de geração térmica, que são mais poluentes e caras, com impacto direto na tarifa de energia entregue ao consumidor. Foi o que ocorreu com frequência entre 2013 e 2015.

A crise hídrica que afeta o reservatório de Serra da Mesa, maior lago artificial da América Latina em volume de água armazenado, é inédita. Nas próximas semanas, municípios localizados no entorno da represa que guarda 54,4 bilhões de metros cúbicos de água em épocas de cheia deverão reviver os mesmos problemas enfrentados no período de seca de 2016, quando a estiagem comprometeu a pesca, a geração de energia e o turismo.

Apesar de toda a pressão sobre o Alto Tocantins, na região de Goiás e Tocantins, a crise hídrica não tem previsão de afetar as operações da hidrelétrica de Tucuruí, terceira maior usina do País, só inferior a Itaipu e Belo Monte, que ainda está em construção. Localizada no município de Tucuruí, a 300 quilômetros de Belém (PA), a usina em operação na Amazônia não vive problemas com abastecimento de água, com seu reservatório próximo da plena capacidade.

PARA ENTENDER

As Bacias dos Rios São Francisco e Tocantins estão entre as principais fontes de geração de energia elétrica do País, com distribuição dessa capacidade por meio do Sistema Interligado Nacional, que integra a rede de transmissão de energia. O papel desses reservatórios fica ainda mais evidente quando considerada sua participação na capacidade de armazenamento dentro de suas regiões. O São Francisco e suas represas de Sobradinho, Três Marias e Itaparica respondem por 97% da capacidade total do Nordeste. A Bacia do Rio Tocantins equivale a 96% do que é armazenado em represas da Região Norte. A preocupação do setor elétrico com a piora da estiagem está atrelada ao volume de energia do País que depende de turbinas de hidrelétricas. Hoje o Brasil tem 153 mil MW de potência em operação, dos quais 98.800 MW têm origem nas águas dos rios, o equivalente a 63% do volume total que pode ser produzido. 

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