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Tecnologia de extração de gás de xisto tem alto custo ambiental

Revolução energética americana provoca contaminação de lençóis freáticos e pode estar relacionado ao aumento de terremotos

Carrizo Springs ,

26 de abril de 2014 | 11h11

TEXAS - Preocupações ambientais são a principal ameaça à manutenção do boom energético que catapultou os Estados Unidos ao topo do ranking dos maiores produtores de gás e petróleo do mundo.

Além de demandar enorme quantidade de água, a tecnologia usada na exploração do xisto traz risco de contaminação de lençóis freáticos e pode estar relacionada ao dramático aumento no número de terremotos no centro do país desde 2010.

Chamada de exploração não convencional de petróleo e gás, a revolução energética americana é impulsionada pela combinação de duas inovações tecnológicas: o faturamento hidráulico e a perfuração horizontal. Juntas, elas provocam a quebra de rochas que estão no subsolo e a liberação do petróleo e gás depositados em sua composição.

Para que isso ocorra, os poços recebem uma injeção sob alta pressão de uma mistura de água, produtos químicos e areia. Depois de fraturar as rochas, esses produtos voltam para a superfície e precisam ser descartados. Como a água está contaminada, ela deve ser armazenada em recipientes que evitem seu contato com a terra ou a água que estão no subsolo.

A opção preferida das empresas é a utilização de poços de petróleo convencionais, que já foram explorados e estão secos. É esse processo que a Agência de Pesquisa Geológica dos Estados Unidos associa ao aumento dos terremotos, que passaram de uma média de 20 ao ano entre 1970 e 2000 para mais de 100 anuais desde 2010.

Outra preocupação trazida pelo armazenamento é o risco de contaminação dos lençóis freáticos. "O revestimento de muitos desses poços abandonados tem mais de 50 anos e pode ser corroído pela água contaminada", diz Adrián León, prefeito de Carrizo Springs, capital do condado de Dimmit.

 

Ao mesmo tempo em que celebra o impacto econômico positivo da revolução energética, León teme os efeitos de longo prazo desses reservatórios. Ele e outros prefeitos da região pressionam as companhias de petróleo a refazerem o revestimento dos poços, para prevenir vazamentos. Segundo ele, a reforma de cada reservatório custa US$ 1 milhão. "Se não fizermos nada, em 20 anos poderemos ter problemas com a água e o solo."

Mas, apesar dos temores, o prefeito é um entusiasta do boom energético. "Éramos um dos condados mais pobres do Texas. Por volta de 2010, tudo mudou." León acredita que sua cidade está numa posição estratégica, que permitirá que ela se beneficie quando a revolução do xisto chegar ao México, para onde se estende a formação do Eagle Ford Shale.

A fronteira entre os dois países está a uma hora de carro de Carrizo Springs, onde quase todos falam inglês e espanhol. León é neto de imigrantes mexicanos e durante a entrevista navega entre as duas línguas. "O México aprovou uma reforma da legislação de energia que permitirá a exploração de xisto lá e nós estaremos no meio dos investimentos", comemora o prefeito.

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