Tecnologia do século passado atrasa anúncio do BC dos EUA

Aparelho de fax e máquinas copiadoras ainda são utilizados para transmitir a decisão do Federal Reserve aos repórteres no Departamento do Tesouro

Ricardo Gozzi, da Agência Estado,

21 de setembro de 2011 | 18h26

Como qualquer participante do mercado mais experiente já sabe, o resultado das reuniões da Comissão de Mercados Abertos do Federal Reserve costuma ser divulgado mais ou menos na hora prevista. E isso acontece porque, ao contrário da maior parte do que vem de outras divisões econômicas do governo norte-americano, os anúncios do Fed são distribuídos com tecnologia do século passado, relata o repórter Jeffrey Sparshott, da Dow Jones.

Primeiro, o anúncio é transmitido da sede do Fed para a sala de imprensa do Departamento do Tesouro dos Estados Unidos via fax por volta das 15h (hora de Brasília). A seguir, um repórter tira cópias para todos os jornalistas presentes com a ajuda de uma copiadora. Hoje, num dia de mais interesse na decisão, foi preciso fazer 80 cópias das cinco páginas do anúncio, num total de 400 folhas. E é claro que, nesse meio tempo, a copiadora travou. O repórter encarregado das cópias então teve que ir correndo para uma outra sala e usar uma outra máquina, o que custou alguns preciosos minutos.

Normalmente, os jornalistas presentes têm cerca de 10 minutos para ler o anúncio do Fed e escrever suas matérias. Por causa do excesso de cópias, esse tempo foi reduzido hoje para oito minutos. Quando o embargo do Fed é levantado, um funcionário do Departamento do Tesouro conta os últimos dez segundos e permite a liberação dos textos. Hoje, isto aconteceu somente às 15h23 (hora de Brasília), um pouco mais tarde que o habitual.

E tudo isso por conta de dois elos frágeis: um aparelho de fax e máquinas copiadoras. As informações são da Dow Jones.  

Leia a íntegra do comunicado do Fed desta quarta-feira:

"Informações recebidas desde que o Comitê Federal de Mercado Aberto se reuniu em agosto indicam que o crescimento econômico continua lento. Indicadores recentes apontam fraqueza contínua nas condições do mercado de trabalho e uma taxa de desemprego ainda elevada. O consumo das famílias está crescendo apenas num ritmo modesto nos últimos meses apesar da recuperação nas vendas de veículos automotores por causa da redução nos problemas na cadeia de fornecimento. O investimento em estruturas não-residenciais ainda é fraco e o setor de moradia continua deprimido. No entanto, o investimento das empresas em equipamentos e software continua a se expandir. A inflação aparentemente diminuiu desde o início do ano conforme os preços da energia e de algumas commodities recuou dos picos. As expectativas de inflação no longo prazo permaneceram estáveis.

Consistente com seu mandato estatutário, o Comitê busca fomentar o máximo emprego e a estabilidade dos preços. O Comitê continua esperando certa melhora no ritmo de recuperação ao longo dos próximos trimestres, mas antevê que a taxa de desemprego diminuirá apenas gradualmente em direção a níveis que o Comitê julga serem consistentes com seu mandato duplo. Além disso, há riscos significativos de baixa no prognóstico econômico, incluindo a tensão nos mercados financeiros globais. O Comitê também estima que a inflação vai se ajustar, ao longo dos próximos trimestres, em níveis dentro ou abaixo daqueles consistentes com seu mandato duplo, à medida que os efeitos de aumentos anteriores nos preços da energia e de outras commodities se dissipam. Contudo, o Comitê vai continuar bastante atento à evolução da inflação e das expectativas de inflação.

Para promover a recuperação econômica em andamento e ajudar a assegurar que a inflação, ao longo do tempo, esteja em níveis consistentes com seu mandato, o Comitê decidiu hoje ampliar a duração de sua posição em títulos. O Comitê pretende comprar, até o final de junho de 2012, US$ 400 bilhões em Treasuries com vencimento em seis a 30 anos e vender uma quantidade equivalente de papéis com vencimento em 3 anos ou menos. Esse programa deve pressionar as taxas de juro de longo prazo e ajudar a tornar as condições financeiras em geral mais acomodatícias. O Comitê vai revisar regularmente o tamanho e a composição de suas posições em títulos e está preparado para ajustar aquelas posições conforme seja apropriado.

Para ajudar a dar suporte às condições dos mercados de hipotecas, o Comitê agora vai reinvestir os pagamentos de principal ligados a sua posição em dívidas de agências e em títulos de agências ligados a hipotecas em bônus ligados a hipotecas. O Comitê vai manter sua política existente de rolar Treasuries que expirarem.

O Comitê também decidiu manter a meta para a taxa dos Federal Funds em zero a 0,25% e atualmente prevê que as condições econômicas - incluindo as taxas baixas de utilização dos recursos e uma perspectiva contida para a inflação no médio prazo - provavelmente justificarão níveis excepcionalmente baixos para a taxa dos Federal Funds pelo menos até meados de 2013. 

O Comitê discutiu a gama de políticas e ferramentas disponíveis para promover uma recuperação econômica mais forte num contexto de estabilidade de preços. O Comitê vai continuar monitorando a perspectiva da economia à luz das próximas informações e está preparado para empregar essas ferramentas conforme for apropriado"

Votaram a favor da medida de política monetária do Fomc: Ben S. Bernanke, chairman; William C. Dudley, vice-chairman; Elizabeth A. Duke; Charles L. Evans; Sarah Bloom Raskin; Daniel K. Tarullo; e Janet L. Yellen.

Votaram contra a ação: Richard W. Fisher, Narayana Kocherlakota, e Charles I. Plosser, que não apoiaram mais acomodação nas políticas neste momento".

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