Tecnologia dos países ricos está cada vez mais cara

Os países em desenvolvimento pagam cada vez mais pelo uso de tecnologias desenvolvidas nos países ricos. A constatação é da Conferência da ONU para o Comércio e o Desenvolvimento (Uctad), que ontem publicou um estudo sobre as tendências de pagamentos de royalties e licenças no setor de tecnologia.Segundo o documento, desde 1980, o valor pago pelos países pobres para usar a tecnologia importada vem aumentando ano a ano. Apesar de não revelar o valor total desses gastos, a agência da ONU aponta que entre 1981 e 1985, o pagamento de royalties cresceu 4% ao ano, mesmo quando os investimentos estrangeiros aos países pobres sofriam uma queda anual de até 12%. Entre 1991 e 1995, o aumento do volume de pagamentos foi de 13% ao ano, taxa que se manteve praticamente inalterada até o ano de 2000. Na avaliação dos economistas da Unctad, a tendência reflete o crescimento das importações de tecnologia efetuado pelos países do Hemisfério Sul. Os mesmos economistas sugerem, porém, que a tendência também revela que, em 20 anos, os países pobres não conseguiram atingir um nível de desenvolvimento tecnológico que os permitissem reduzir as importações. "A dependência pela tecnologia produzida no Norte ainda continua e, alguns casos, está mais acentuada", afirmou um especialista da ONU.Apesar do aumento constante dos gastos com tecnologia,a tendência foi revertida em 2001. Naquele ano, os pagamentos de royalties caíram em 27% nos países em desenvolvimento, em parte graças à queda de 15% no fluxo de investimentos dos países ricos. Para a Unctad, porém, essa queda foi apenas resultado de fatores que não devem se repetir nos próximos anos. "Por enquanto, o que podemos ver é que o peso do pagamento de royalties vai continuar a crescer para os países pobres", completou uma economista da entidade.

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