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José Roberto Mendonça de Barros
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Tecnologia utilizada no sistema produtivo é central na saída da crise

Muita gente começou a produzir bens em casa e não seria bem-sucedida, além de suas habilidades e talentos, se não dominasse minimamente a utilização do WhatsApp e outras ferramentas para se comunicar, vender, cobrar e entregar ao cliente

José Roberto Mendonça de Barros, O Estado de S.Paulo

12 de junho de 2021 | 23h59

Embora a maioria das proposições para a saída da crise em que estamos metidos seja ligada à política econômica, é imperioso perceber que não deixaremos a atual situação para trás sem a decisiva ajuda do avanço da tecnologia utilizada no sistema produtivo.

Isso é verdade tanto no plano microeconômico quanto no plano setorial e ainda no plano da economia em geral. A tecnologia é fundamental para explicar a maioria dos casos de sobrevivência na crise. Os exemplos aqui são milhares e começam nas novas formas de atendimento ao consumidor. 

Muita gente começou a produzir alimentos e outros bens em casa e não seria bem-sucedida, além de suas habilidades e talentos, se não dominasse minimamente a utilização do WhatsApp e outras ferramentas para se comunicar, vender, cobrar e entregar ao cliente.

Isso ocorreu mesmo quando foi necessário utilizar um serviço de entregas (logística do último quilômetro), atividade que só deu um salto graças a novos softwares e modelos de negócio.

Da mesma forma, outros produtores tiveram que superar a geografia: é o caso de certos grupos sociais que vivem de artesanato e que tinham turistas como clientela, e que desapareceram após o início da pandemia. Apenas sobreviveram quando foram capazes de desenvolver vendas via internet.

Em outros empreendimentos, o que salvou o negócio foi o rápido aprendizado de realizar vendas e sua liquidação, pós-vendas e assistência técnica a distância. Entra aqui um imenso número de serviços que vai do setor automotivo à telemedicina, passando por atividades ligadas ao bem-estar das pessoas.

Naturalmente, esses sobreviventes não formam a maioria, especialmente na área dos serviços, mas tornaram possível, junto com talento, esforço e mudança técnica, não só a sobrevivência, mas, em muitos casos, a abertura de novos horizontes de crescimento, que serão preciosos quando o avanço da vacinação permitir uma volta à normalidade do convívio social. 

No plano setorial vemos a mesma coisa: os segmentos que melhor têm desempenhado atravessam uma jornada de avanço técnico, como a digitalização na agropecuária, a consolidação das plataformas eletrônicas no comércio e mudanças no sistema financeiro, entre outras. Os primeiros passos na direção da industrialização da construção civil residencial vão na mesma direção.

Finalmente, observamos nos Estados Unidos, na Europa e em certos países da Ásia a busca pela “agenda do futuro”, onde despontam o desenvolvimento de carros elétricos, baterias, energia limpa, biotecnologia e engenharia médica, inteligência artificial. Infelizmente, desses caminhos que construirão o futuro estamos bastante distantes, exceto em certas áreas de energia e da biotecnologia. 

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A agropecuária teve desempenho importante no resultado do PIB do primeiro trimestre, crescendo 5,2% em relação ao mesmo período de 2020. 

Entretanto, no segundo e no terceiro trimestres, os resultados não deverão ser tão positivos. Ao contrário da soja, cuja produção cresceu significativamente, com o grosso da colheita realizada até março, as outras culturas importantes deverão se contrair neste ano, em relação ao ano passado, e as colheitas estão concentradas de abril a setembro. 

Neste momento, esperam-se os seguintes resultados: algodão, produção de 6 milhões de toneladas, com queda de 18%; café, colheita de 49 milhões de sacas, com queda de 22%; milho safrinha, produção de 62 milhões de toneladas, com queda de 16%; e cana-de-açúcar, no Centro-Sul, produção de 560 milhões de toneladas e queda de 7%.

Esses resultados decorrem de menor área plantada (algodão), bianualidade da produção (café) e impacto da seca que atinge a região Sudeste, afetando o milho e a cana. 

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No último dia 25 foi anunciado que a Costa Rica se tornou o 38.º país a participar da OCDE, organização da qual o Brasil está a quilômetros de distância.

Se isto não bastasse para ver o atraso trazido por mais uma década perdida e o buraco em que estamos metidos, a leitura do suplemento da The Economist sobre o Brasil completa o serviço. 

ECONOMISTA E SÓCIO

DA MB ASSOCIADOS. ESCREVE QUINZENALMENTE

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