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Tecnologia é trunfo do Acampa Sampa

Quatro computadores alimentam as redes sociais, que já reúnem 1,5 mil seguidores

LUIZ GUILHERME GERBELLI, O Estado de S.Paulo

24 de outubro de 2011 | 03h04

Os integrantes do movimento Acampa Sampa não participaram da manifestação no Vale do Anhangabaú das Diretas Já, em 1984. Mas, quase 30 anos depois, escolheram o mesmo palco para protestar. Agora, as reclamações beiram os extremos. Pedem desde a renúncia do presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), Ricardo Teixeira, até o fim do capitalismo.

Desde 15 de outubro, 70 pessoas - jovens na maioria - estão acampadas debaixo do Viaduto do Chá, no centro de São Paulo. O movimento é inspirado em protestos internacionais, como o Ocupe Wall Street, dos Estados Unidos, e foi realizado simultaneamente em 82 países. "Aqui estão vários movimentos, mas todos convergem para um só", afirma o historiador Leandro Cruz, de 29 anos, integrante da Comissão de Comunicação.

Diferente também é o processo de mobilização. Ao contrário das Diretas Já, não há grandes comícios nem apoio de políticos, artistas e intelectuais. A força do movimento está no uso da tecnologia. Quatro computadores alimentam as redes sociais sobre os últimos fatos e os próximos passos do Acampa Sampa.

Na página do movimento no Facebook, cerca de 1,5 mil internautas se juntaram virtualmente ao grupo. O número é bem maior do que as 180 pessoas que, em média, participam das manifestações presenciais como a que ocorreu em frente ao Fórum João Mendes, na quarta-feira.

"Os movimentos nos Estados Unidos e na Europa começaram assim, com pouca gente", afirmou Cruz. Para ele, o fato de a situação econômica do Brasil ser melhor do que a de países em crise não vai esvaziar o movimento. O historiador está acampado desde o primeiro dia. "Vale a pena ficar aqui." O jovem é de Franca, interior de São Paulo. Na sua nova rotina, os banhos já se tornaram um luxo: um a cada dois dias. Mas nada que o desanime. "Vamos ter mais gente aqui do que tivemos nas Diretas."

O Acampa Sampa se classifica como apartidário. Para provar que não há influência ideológica, na pequena biblioteca há obras que vão de Karl Marx a Adam Smith. "Mas o livro do Adam Smith é o menos lido", diz Cruz. Integrantes do PSOL e do PSTU tentaram liderar o Acampa Sampa, mas a possibilidade foi rejeitada em assembleia.

As assembleias - sempre com hora marcada -têm papel importante no movimento. Todos os passos são decididos nelas. A tentativa é sempre chegar a um "consenso", como gostam de dizer os participantes. "Não há um líder, é tudo decidido na base do consenso", garante a arquiteta Marina Cabrera Afonso, de 26 anos.

Fora de casa. Marina é de Campinas e mora há dois anos com os pais em São Paulo. Saiu de casa para dormir debaixo do viaduto e não se arrepende. "Meus pais não entendem muito. Dizem que me preocupo mais com as pessoas que não conheço do que com quem me ama."

Uma estrutura foi organizada para os manifestantes. Debaixo do viaduto, além do centro de comunicação com computadores foram improvisados fogão, pia e biblioteca. Os alimentos são doados e os mais necessitados são publicados no site.

No início da semana passada, uma decisão do Tribunal de Justiça de São Paulo proibiu os integrantes de acampar no Vale do Anhangabaú e de manter faixas e cartazes expostos. A decisão não foi suficiente para tirar o grupo do local. Na sexta-feira, a Justiça concedeu o direito do uso de faixas e cartazes, mas o direito de acampar continua vetado.

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