Tecnologia importada dá sinais de retomada

Compra de máquinas e equipamentos no exterior revela recuperação do investimento

IURI DANTAS / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

16 de dezembro de 2012 | 02h08

Dados compilados pelo Ministério do Desenvolvimento a pedido do 'Estado' mostram aumento na importação de equipamentos de alta tecnologia. O movimento antecede, segundo técnicos, a recuperação do investimento privado, componente que comprometeu a expansão da economia brasileira nos dois primeiros anos do governo Dilma Rousseff.

O quadro sinaliza rompimento em relação aos cinco trimestres seguidos de queda do investimento das empresas, como mostrou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Os números levantados pelo Ministério do Desenvolvimento se referem à compra de máquinas que não são produzidas no Brasil. Para adquirir esses bens lá fora sem pagar o Imposto de Importação, as empresas apresentam ao governo um projeto de investimento atrelado ao equipamento, como a aquisição de um robô para uma nova linha de produção.

De 2007 para cá, quando esse tipo de importação cresceu, a economia teve desempenho melhor no ano seguinte. Em 2009, por exemplo, a economia patinava, mas os pedidos de importação indicavam US$ 51,6 bilhões em investimentos nos próximos meses. Em 2010, o Brasil cresceu 7,5%, o maior resultado desde a década de 1980.

Agora em 2012, o aumento nos pedidos de ex-tarifários, como a operação é conhecida no jargão técnico, repete o movimento observado há três anos. Os pedidos até o momento estão atrelados a US$ 45 bilhões em investimentos, o que segundo a secretária de Desenvolvimento da Produção do ministério, Heloísa Menezes, fortalece o otimismo com o desempenho de 2013.

"Geralmente, é o gargalo tecnológico que impede a produção no País", diz Heloísa. "Aumento de produtividade, esse é o lado importante. O ex-tarifário é um instrumento de aumento de produtividade."

A queda dos investimentos derrubou o PIB em 2011 e 2012, levando o governo a anunciar medidas como a desoneração de bens de capital, menor tempo para depreciação de máquinas e equipamentos e prorrogação do Programa de Sustentação do Investimento (PSI) do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

No fim de novembro, o IBGE surpreendeu ao informar crescimento de apenas 0,6% no terceiro trimestre. Segundo um economista do governo ouvido pelo Estado, as empresas privadas seguraram os investimentos por causa das incertezas com a crise, mas isso já está mudando.

Estrangeiros. Outro indicador de que os investimentos privados voltarão a subir em 2013, na avaliação do governo, é o perfil do Investimento Estrangeiro Direto (IED) e sua participação cada vez maior no PIB. Se os empresários brasileiros pisaram no freio, o mesmo não ocorreu com os investidores de fora.

Números obtidos pela reportagem mostram que o IED representa um porcentual cada vez maior da Formação Bruta de Capital Fixo, índice usado pelo IBGE como termômetro dos investimentos. Em 2010, os estrangeiros respondiam por 12% desse índice de formação de capital. Neste ano, a taxa bateu em 16%, acima dos 14% do ano passado.

Além disso, desde o início da crise é cada vez maior o volume de recursos de fora voltados para a compra de participação e sociedade de empresas brasileiras. Nesse tipo de operação, o investidor busca, primeiro, cortar custos e aumentar a produtividade, aperfeiçoando processos ou mesmo demitindo funcionários. Depois dessa etapa vem a decisão de investir para ganhar mercado e aumentar a lucratividade.

Segundo um integrante da equipe econômica, que falou sob condição de sigilo, o IED tende a aumentar no ano que vem. Os principais fatores são as obras de infraestrutura e da Copa do Mundo, o programa Minha Casa, Minha Vida e a exploração de petróleo no pré-sal. Esse interesse se reflete nos pedidos de ex-tarifários.

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