Thomas Pitilli/The New York Times)
Thomas Pitilli/The New York Times)

Tecnologia muda perfil dos mordomos

Para gerenciar mansões com arsenal de recursos eletrônicos, gestores domésticos buscam capacitação técnica para manter empregos

Robert Frank, THE NEW YORK TIMES

16 Dezembro 2015 | 09h36

A vida de um mordomo tem se transformado na era digital. Enquanto as casas dos ricos se enchem de novos símbolos tecnológicos – como leitores de retina, fechaduras de porta controladas por iPads, telas planas camufladas e shows de luzes – os mordomos estão se tornando cada vez mais departamentos de TI de um homem só. Proprietários ricos agora procuram por gestores domésticos com experiência em tecnologia corporativa ou com graduação em engenharia. As escolas de mordomos estão fazendo parceria com empresas de tecnologia para treinar seus alunos. Agências especializadas em mordomos estão cada vez mais recrutando pessoas de departamentos de TI de grandes companhias e cadeias de hotéis.

Os próprios mordomos – que foram transformados mais em “gestores domésticos” no estilo de funcionários de empresas nas décadas de 1990 e 2000 – lutam agora para equilibrar seu trabalho principal de mimar seus patrões com a gestão dos sistemas instalados para deixar as casas “inteligentes”. “Já não existe mais a bandeja de prata”, disse o presidente da Hire Society, David N. Youdovin, uma agência de recrutamento de funcionários domésticos de Nova York. “Se você não consegue configurar uma rede sem fio de forma segura ou sincronizar um iPad, é difícil disputar as vagas.”

Na verdade, mesmo os não ricos lutam com tecnologias domésticas cada vez mais complicadas. Mas nos últimos anos, os milionários têm elevado as casas inteligentes para um novo nível – e contratado funcionários domésticos para mantê-las funcionando.

Weber Tysvaer, gerente de propriedade e gestor de várias famílias ricas, disse que uma casa na qual trabalhou tinha tantas placas-mãe e servidores no porão que os cabos formavam uma coluna gigante e multicolorida ao longo das paredes. “Parecia um órgão de catedral. Era bem bonito, a menos que algo desse errado”, disse ele. Tysvaer trabalhou num triplex de Manhattan, de propriedade de um príncipe do Oriente Médio, que era cheio de tecnologia e sistema de segurança modernos. Ainda assim, o sistema não funcionava e teve de ser refeito, a um custo de cerca de US$ 500 mil, pouco mais de um ano após sua instalação. Segundo o mordomo, as pessoas não se dão conta que os sistemas “são mais complexos do que eles realmente precisam”.

Lefford, que viaja entre sua casa no estado de Michigan e a residência de seu empregador, em Nova York, disse que a tecnologia deu a ele mais liberdade, mas também mais dores de cabeça. Ele pode gerir a casa de seu patrão em Nova York remotamente com um iPad, definir a temperatura dos ambientes, fechar as cortinas, acender as luzes e fechar as portas. Tudo com um leve toque na tela do tablet. Ele chegou até mesmo a aceitar uma entrega de flores na residência de Nova York e selecionou buquês para cada aposento enquanto estava em Michigan. Mas, numa noite de domingo, quando Lefford estava de folga, seu patrão não conseguia acender das luzes do andar superior da casa. “Para consertar isso, eu teria de remover um painel de um gabinete, desligar uma outra coisa e apertar o botão de reinicialização”, disse o mordomo. “Eles decidiram ir embora e voltar quando eu estivesse por lá, no dia seguinte.” /Tradução de Priscila Arone

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