Teixeira agendou encontro com Lula, diz ex-sócio da VarigLog

Durante depoimento no Senado, empresário afirma que também se encontrou com a ministra Dilma

Cida Fontes e João Domingos, de O Estado de S. Paulo,

03 de julho de 2008 | 15h32

O empresário Marco Antonio Audi disse a senadores do PSDB e DEM, em audiência pública na Comissão de Serviços de Infra-Estrutura no Senado, que foram agendados pelo advogado Roberto Teixeira os encontros que teve no Palácio do Planalto com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e na Casa Civil com a ministra Dilma Rousseff. Ele não soube precisar a data da visita à Dilma, mas afirmou ter ocorrido entre os dias 23 de junho de 2006 e 21 de julho do mesmo ano, antes do leilão da Varig.   Veja também: Turbulências da Varig  Decisão da Justiça sobre VarigLog ainda não chegou à Anac Família Teixeira chama Lula de 'Dindo', diz ex-sócio da VarigLog Ex-sócio da VarigLog nega ser 'laranja' do fundo americano    Audi contou que Roberto Teixeira, compadre do presidente Lula, não estava na reunião quando foi apresentado à ministra como interessado em adquirir a empresa. A conversa teria durado dez minutos e, segundo ele, o advogado estava representado por sua filha Waleska Teixeira. Com o presidente Lula, o encontro aconteceu um dia antes da autorização da retomada de vôos da Varig, em 13 de dezembro de 2006.   Durante mais de três horas de depoimento, que não teve a participação de senadores da base aliada ao governo, o empresário procurou desvincular o Planalto da operação de compra e venda da empresa aérea e negou que Roberto Teixeira tenha usado sua influência no governo para facilitar e se beneficiar da transação.   Segundo ele, quando o advogado o levou para o encontro com Lula, não demonstrou intimidade. "Não senti a liberdade tão grande que ele vendia", disse. "Não estou preocupado em proteger o presidente e a ministra. Estou preocupado em não pôr culpa a quem não tem", afirmou, diante das perguntas dos oposicionistas. Na avaliação desses parlamentares, ele teria preservado o Planalto de olho nas pendências judiciais, uma delas a briga pelo controle da VarigLog, que hoje é comandada pelo fundo Matlin Patterson, dos Estados Unidos.   Os senadores do PSDB e do DEM avaliaram que Audi foi contraditório durante o debate na Comissão. "O tráfico de influência está claro, apesar de ele (Audi) ter negado", concluiu o líder do DEM, senador José Agripino (RN).   O empresário disse que Roberto Teixeira era contra a venda da Varig mas mudou de idéia depois de conversar longamente com o investidor Lap Chan, representante do fundo norte-americano, que tem 60% do capital da VarigLog. O escritório de advocacia de Roberto Teixeira atende Lap Chan. Audi afirmou que, segundo notícias divulgadas pela imprensa, o advogado teria montado duas empresas em São Paulo com o investidor chinês, que tem Larissa Teixeira, sua filha, como sócia.   A cada depoimento sobre o caso Varig, a oposição conclui que é preciso aprofundar as investigações, uma vez que muitos fatos não estão claros. O deputado estadual fluminense Paulo Rocha (PDT), que compareceu também à audiência, concorda em que o mistério só poderá ser desvendado com a quebra de sigilo bancário, fiscal e telefônico das pessoas envolvidas. E só uma comissão parlamentar de inquérito (CPI) tem poder para determinar essa quebra de sigilo. A oposição no Senado ainda não afastou completamente a idéia de uma CPI, mas entende que ela só poderá ser criada a partir de fatos concretos.

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