Teixeira vai processar Denise e Audi

Advogado nega denúncias de tráfico de influência e insinuações de suborno

Ricardo Grinbaum, O Estadao de S.Paulo

05 de junho de 2008 | 00h00

O advogado Roberto Teixeira, acusado de usar seus contatos no governo para obter vantagens para os compradores das empresas VarigLog e Varig, anunciou ontem que vai processar a ex-diretora da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) Denise Abreu e o empresário Marco Antônio Audi. Ouça o áudio da entrevista de Denise Abreu Em entrevistas publicadas ontem no Estado, Denise disse que os advogados do escritório de Roberto Teixeira, incluindo sua filha Valeska Teixeira e seu genro Cristiano Martins, pressionaram os diretores da Anac para aprovar a venda da empresa de cargas VarigLog ao fundo americano Matlin Patterson e três sócios brasileiros. Os brasileiros são acusados de serem "laranjas" dos investidores estrangeiros. Já Audi, um dos sócios brasileiros acusados pela Justiça, havia dito que deu US$ 5 milhões para Teixeira "cuidar do caso". E que Teixeira, amigo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, teria usado sua influência no governo para aprovar o negócio. Audi também disse ter ouvido de Teixeira insinuações sobre propinas."Com certeza vamos entrar com processo contra o sr. Audi e contra a Denise. Aliás, não foi uma nem duas vezes. A cada momento que minha honra pessoal, profissional ou do escritório (foi atingida), nós nunca nos furtamos a ingressar com as ações", disse o advogado, durante uma entrevista coletiva. A reportagem do Estado não foi convidada, mas compareceu à entrevista.Teixeira refutou as acusações, mas não deu detalhes sobre alguns pontos das denúncias. Ele negou ter recebido os US$ 5 milhões para cuidar do caso e de ter falado de propinas. Mas não quis dizer quanto ganhou. "A prova é dele e não minha. Recebemos por força de um contrato de honorários por hora trabalhada, em valores de praxe."O advogado disse que durante o processo para a aprovação da VarigLog entrou com uma representação no Ministério da Defesa contra Denise Abreu e com um mandado de segurança na Justiça. Segundo Teixeira, as medidas foram tomadas porque alguns documentos que favoreciam a aprovação do negócio haviam sumido do processo na Anac. "Eram documentos indispensáveis", diz Teixeira. "Não tenho como provar, mas acredito que a Denise fez lobby para a TAM."Ao ser perguntado sobre quanto dinheiro os sócios brasileiros investiram para comprar a VarigLog e a Varig, Teixeira não quis responder. "O fundamento da entrevista era refutar esses pontos principais. Outras questões, de um pouco mais de profundidade, fogem do escopo e vamos deixar para conversar em outro momento." Teixeira também não quis comentar sua relação com o presidente Lula. "Essa é a pergunta que eu mais respondi ao longo da minha vida."

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