Tiago Queiroz/Estadão
Tiago Queiroz/Estadão

Telas de toque ultrapassam a ficção

Novos aparelhos de TV já têm funções antes restritas a filmes como 'Minority Report'

NAYARA FRAGA, O Estado de S.Paulo

26 de maio de 2013 | 02h09

Enquanto as pessoas ainda se acostumam com as telas sensíveis ao toque - que saíram do celular e foram parar na geladeira, no carro e até no fogão -, as empresas de tecnologia já desenvolvem produtos que levam a interação humana com telas a um nível antes visto apenas em filmes como Minority Report, de Steven Spielberg, lançado em 2002.

O modo como o principal policial da trama (interpretado por Tom Cruise) comanda computadores, apenas pelo movimento dos braços e das mãos (sem qualquer tipo de toque), é tido agora pela indústria como uma experiência que pode de fato ser entregue ao consumidor. Além da Microsoft - que desenvolveu um sensor para videogame que serve também para cirurgias e fisioterapia -, empresas como Samsung e Intel lideram essa discussão.

A empresa sul-coreana já tem televisões da categoria "smart" que permitem ao usuário trocar de canal ou aumentar o volume levantando um dos braços. E uma TV mais potente que essa chegará ao mercado brasileiro em julho. O novo aparelho capta o movimento dos dois braços e gestos complexos. Isso significa que será possível dar zoom numa foto apenas mexendo as mãos em direções opostas ou curtir foto no Facebook ao levantar o polegar (sinal do "curtir"). E tudo isso do fundo da sala, sentado no sofá.

"A TV tem uma câmera integrada de cinco megapixels que reconhece seus movimentos", diz o gerente de produtos para a área de TV da Samsung do Brasil, André Sakuma. "Dá para jogar Angry Birds (jogo de arremesso de pássaros) e fazer login nas redes sociais pelo reconhecimento da face."

A crença das empresas é de que o usuário quer e pagará por recursos que o aproximem da máquina. Essa foi, aliás, uma das reflexões que apareceram na Display Week, evento sobre telas realizado na semana passada em Vancouver. Alaide Mammana, brasileira que representa a América Latina na Society for Information Display (promotora do evento), afirma que a tendência é integrar às telas sensores que captem mais que o toque. Eles vão medir a temperatura, fazer diagnósticos médicos, detectar gases ou luz, entre inúmeras funções. "Assim, tornam-se interfaces muito completas e mais fáceis de usar."

Essa chegada de telas mais "inteligentes" ao mercado coincide com o momento em que o volume de informações produzidas e trocadas especialmente na internet formou um usuário exigente e antenado. Um aparelho simples, com botões, portanto, tende a ser menos atraente para quem se acostumou a ter todas as repostas em uma página de buscas. "O que está acontecendo é que a gente quer um mundo mais informativo e é por isso que as telas estão ficando cada vez mais complexas", diz Alfred Poor, analista de tecnologia reconhecido por seus estudos na área de telas.

Aplicação. O consumo da informação nessa nova era, no entanto, pede praticidade. E é aí que a interação com esses sensores acoplados a aparelhos pode ser especialmente útil. Basta pensar no computador que dispensa a senha do usuário para acesso a sites - solução que será apresentada em breve pela desenvolvedora de chips AMD.

As aplicações que esse sensores de movimento podem ter são ilimitadas. Por essa razão, as empresas abrem suas plataformas para que desenvolvedores criem programas voltados para o consumidor final.

É o caso da Intel e sua "perceptual camera" - equipamento composto por duas câmeras que identificam o rosto e os gestos das mãos. A empresa está promovendo concursos com desenvolvedores para ver o que a tecnologia pode proporcionar.

Um dos finalistas da etapa americana foi um indiano que decidiu solucionar o problema de cozinheiros que querem usar o computador e preparar a comida ao mesmo tempo. Ele imaginou a câmera acoplada a um tablet, preso na parede, capaz de responder a comandos de voz, como "atenda o telefone" ou "omelete de queijo" (para mostrar a receita).

A versão brasileira do concurso começou agora. Os desenvolvedores terão até o dia 24 de junho para enviar suas ideias. A empresa informa que distribuirá 30 câmeras no País. Quando essa tecnologia da Intel estará nas prateleiras não é possível precisar, segundo Juliano Alves, gerente de marketing da empresa. A comercialização depende muito dos aplicativos criados com base nela.

Alfred Poor aposta que comandar um aparelho por gesto será algo bem mais comum daqui a três anos. O Galaxy S4, smartphone topo de linha da Samsung, já permite que o usuário pule uma música que esteja sendo tocada no telefone apenas com um tapa no ar. Mas o aparelho, no Brasil, custa a partir de R$ 2.399.

É o preço da novidade. Ter o gosto de fazer o que Tom Cruise fez em Minority Report - com a TV da Samsung que capta o movimento de uma mão - também não sai barato. É preciso desembolsar R$ 5.999. Mas, como ocorre com toda tecnologia, os preços caem ao longo do tempo. Assim foi com os computadores e está sendo com os smartphones. Só não dá para precisar a data.

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