Telebrás inibirá investimentos privados, diz Telefônica

Decreto que ressuscitou a estatal determina que empresa será responsável pela ''rede [br]privativa'' do governo

Mônica Ciarelli, O Estado de S.Paulo

29 de maio de 2010 | 00h00

A Telefônica alertou que a decisão do governo de reativar a Telebrás com objetivo de ampliar os serviços de banda larga no País pode reduzir o volume de investimentos programado para o setor privado em telecomunicações, que este ano é de R$ 17 bilhões.

Segundo Leila Loria, diretora de Relações Institucionais e Novos Negócios da Telefônica, o projeto anunciado pelo governo ainda é muito vago, e essa insegurança pode afetar os projetos de infraestrutura no setor, que são de maturação de médio e longo prazo. "Do decreto para a vida real ainda tem muita coisa a entender", disse Leila. "Se não houver segurança, os investimentos em fibra ótica, por exemplo, não saem. O investidor não faz." A executiva participou ontem do III Forum Brasil-União Europeia.

Ela explicou que as companhias vão acabar reduzindo a perda de mercado com a entrada da Telebrás com menos investimentos. "Se você reduzir em 20% (os investimentos), por exemplo, você já cobre isso."

Governo. Para a diretora, uma das questões que o setor vem buscando entender é quais novos serviços sairão das companhias de telecomunicações para a nova Telebrás, que é estatal.

"O serviço público é importante para as teles. Há grandes empresas governamentais que dependem do nosso serviço." Se a prestação de serviços para a administração pública migrar para a Telebrás, pondera, será uma nova realidade de mercado para os grupos.

"Quando as companhias compraram as concessões (durante a privatização da Telebrás), elas previam que haveria também o mercado de serviços públicos. Então, isso é uma mudança na regra. Não chega a ser uma quebra de contrato, mas, é uma mudança nas regras do jogo", afirmou.

Leila observou ainda que o fato de haver um novo competidor não preocupa. O que causa insegurança é a possibilidade de haver condições diferenciadas para a atuação no setor.

Estatal. O decreto que ressuscitou a Telebrás para ser a gestora do Plano Nacional de Banda Larga definiu que a empresa deverá "implementar a rede privativa de comunicação da administração pública federal". O governo também anunciou que a Telebrás será contratada sem licitação. As empresas privadas temem o impacto dessas medidas, que não estão ligadas à banda larga popular, no mercado de telecomunicações. Atualmente, elas competem pelos contratos.

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