Telecom Italia deve vender esta semana participação na BrT

Fontes indicam que o valor da transação está em torno de US$ 500 milhões (R$ 1 bilhão)

Irany Tereza e Nilson Brandão Junior, do Estadão,

16 de julho de 2007 | 21h41

O penúltimo capítulo da novela em que se transformou a disputa societária na Brasil Telecom (BrT), terceira maior operadora de telefonia fixa do País, deve ocorrer esta semana, com a assinatura do acordo de venda da participação da Telecom Italia (TI) para os fundos de pensão Previ (Banco do Brasil), Petros (Petrobrás) e Funcef (Caixa Econômica). De acordo com fontes que acompanham as negociações, o valor da transação ficará em torno de US$ 500 milhões (R$ 1 bilhão) e o acordo pode ser assinado amanhã.   O último capítulo da disputa depende ainda da definição da parcela do Opportunity, do banqueiro Daniel Dantas, outro litigante entre os sócios. A Telecom Italia está se desfazendo de 38% de sua participação na Solpart, holding que controla, no intrincado organograma da operadora, 51% das ações ordinárias da Brasil Telecom Participações e 19% de seu capital total, de acordo com dados atualizados pela empresa no mês passado.   Isoladamente, a participação da Telecom Italia equivale a algo em torno de 19% das ações ordinárias ou 7% do capital total. "Essas ações estão sem liquidez e o acordo é a solução de um litígio. O valor deve ficar apenas um pouco abaixo do valor de mercado", diz uma fonte ligada aos negociadores. Segundo a mesma fonte, o valor de mercado da participação da TI estaria na faixa de US$ 600 milhões.   O valor total de mercado da Brasil Telecom está hoje em R$ 14 bilhões, resultado de uma valorização intensa das ações. Nos últimos 12 meses, os papéis ordinários (com direito a voto) da empresa subiram 60%.   Ontem, com as notícias na imprensa italiana que davam como certo o fechamento do acordo esta semana, as ações fecharam com tendência de alta e variação zero, interrompendo a curva decrescente do mês de julho, que acumula queda de quase 3%.   Avaliações - O analista de mercado do ABN Amro Real Corretora, Alex Pardellas, também avalia que o preço estimado pelo negócio, conforme informações veiculadas na imprensa, seria baixo. Isso porque, levando em conta a quantidade de ações que está sendo vendida, o preço unitário seria próximo de R$ 37, enquanto o de mercado ficou ontem em R$ 51.   No mercado, a avaliação é que o eventual aumento de participação dos fundos de pensão dentro da Brasil Telecom poderia favorecer uma futura fusão com o Grupo Oi (ex-Telemar), no qual os fundos também detêm participação acionária. Em abril, surgiram rumores de que as duas empresas de telefonia poderiam se juntar, o que dependeria ainda de mudanças na regulamentação. As duas operadoras negaram que estivessem analisando essa possibilidade.   Briga acionária - Há dois anos, Daniel Dantas, cujo banco detém 2,7% do capital total da BrT, chegou a negociar a venda de sua participação para a Telecom Italia. Na época, o valor noticiado para o negócio, que acabou não sendo fechado, foi de 341 milhões (o equivalente a R$ 876 milhões ao câmbio atual). Agora, fontes indicam que o banqueiro pode também negociar com os fundos e deixar a BrT, depois da saída da TI. Uma fonte ligada ao banqueiro, contudo, acha que o valor pelo qual os fundos estão negociando a fatia da empresa italiana é baixo.

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