Hélvio Romero/AE
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Telecomunicações têm dificuldades no Brasil

Embora o País tenha mais celulares do que gente, produção industrial e faturamento do setor vêm recuando

Renato Cruz, O Estado de S.Paulo

21 de fevereiro de 2011 | 00h00

No ano passado, o número de celulares ultrapassou o total da população no Brasil e, em dezembro, o número de aparelhos móveis no País ficou acima da marca dos 200 milhões. Mesmo com esses indicadores importantes, a indústria brasileira de telecomunicações passa por um momento difícil. Um dos principais motivos é a ausência de políticas públicas que incentivem o investimento no setor.

Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a produção industrial do setor caiu 30,3% entre maio (pico de produção no ano) e dezembro de 2010 (quando a indústria atingiu seu nível mais baixo). No ano, a queda atingiu 20,8%.

"No segundo semestre, houve uma clara desaceleração do setor industrial como um todo", disse André Macedo, gerente de pesquisas do IBGE,, responsável pelos dados setoriais.

"Esse movimento teve relação com a elevação dos estoques e a maior presença de importados. Os celulares tiveram menor volume de exportação, com perda de 20% do volume exportado", afirmou.

Na pesquisa do IBGE, os celulares e os equipamentos de infraestrutura de redes de telecomunicações fazem parte do grupo "material eletrônico, aparelhos e equipamentos de comunicações". Além deles, são computados nesse total os televisores e outros aparelhos da chamada "linha marrom".

De acordo com Macedo, esses outros itens podem explicar o pico de produção em maio de 2010, por causa da demanda por televisores trazida pela Copa do Mundo da África do Sul.

Em baixa. Outros indicadores, que tratam exclusivamente de telecomunicações, apontam para baixo. No ano passado, o faturamento total da indústria de telecomunicações recuou 9%, para R$ 16,7 bilhões, segundo levantamento da Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica (Abinee).

A exportação do setor caiu 19%, para R$ 1,382 bilhão, enquanto as importações subiram 20%, para R$ 2,789 bilhões. Em janeiro deste ano, a queda das exportações foi ainda maior, de 21,3%, enquanto a alta das importações acelerou para 38,1%.

Infraestrutura. No setor de infraestrutura de redes, cada vez menos equipamentos são produzidos no Brasil. Em celulares, barreiras impostas por mercados importantes, como a Argentina e a Venezuela, dificultam as vendas. Produtos de valor maior, como o iPhone, da Apple, não são produzidos no Brasil.

"O principal fator para a redução do faturamento no ano passado foi a queda de encomendas na infraestrutura", disse Luiz Cezar Rochel, gerente de economia da Abinee. "Na telefonia celular, o mercado ficou mais estável."

Para este ano, Rochel espera que os investimentos em banda larga sejam retomados.

Em 2010, o governo reativou a Telebrás, em meio a muita polêmica, e não conseguiu fazer com que a estatal emitisse uma ordem de compra.

Isso fez com que as operadoras privadas esperassem para ver como essa empresa atuaria como gestora do Plano Nacional de Banda Larga (PNBL), limitando as suas compras.

Adiamentos. O novo Plano Geral de Metas de Universalização (também conhecido como PGMU 3) deveria ter sido definido até dezembro de 2010, mas foi adiado para maio deste ano. Esse plano cria obrigações de atendimento para as concessionárias Telefônica, Oi e Embratel. Na prática, seu adiamento representou atraso nos investimentos.

Apesar desse cenário, a indústria está otimista para este ano. A Abinee projeta um crescimento de 11% da receita neste ano, comparado à queda de 9%. O avanço do investimento estaria muito ligado à expansão do atendimento com internet de banda larga e à participação das empresas privadas no Plano Nacional de Banda Larga.

O Ministério das Comunicações negocia com governos de Estado a redução do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) para pacotes populares.

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