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Telefone justo é lançado contra a exploração de trabalhadores

Fairphone produzido no conceito do 'comércio justo'  já foi encomendado por 15 mil pessoas por R$968,50

Economia & Negócios,

19 de setembro de 2013 | 13h47

LONDRES - O primeiro telefone celular justo do mercado, chamado de 'fairphone', foi lançado em Londres pelo designer holandês Bas Van Abel.

O idealizador do projeto diz que deseja 'mudar o mundo' com um processo mais justo de fabricação. Ele também pretende chamar a atenção para o fato de que os telefones celulares em uso no mundo inteiro são fabricados com 'processos antiéticos de extração mineral e exploração dos trabalhadores de indústrias que utilizam processos desumanos'.

Ele cita o caso dos metais preciosos explorados em regiões de conflito no Congo e os processos de fabricação da China, onde as condições de empresas como a Foxconn, por exemplo, chegam a provocar casos de suicídio entre os operários devido aos baixos salários e condições insalubres de trabalho.

Ética. A Fairphone tem a intenção de mudar o processo e garantir a produção de forma ética desde a produção dos minérios até a comercialização.

O "Fairphone" pretende ser uma espécie de iPhone fabricado com salários justos, em fábricas que não explorem os seus trabalhadores com condições de trabalho desumanas.

Uma Organização Não Governamental (ONG) vai verificar as minas que abastecem a produção não estejam em mãos de 'senhores da guerra'.

O aparelho vai ter menor consumo de energia e também deverá ter assistência técnica barata e ser totalmente reciclável, sem perder a qualidade.

Van Abel admite que é difícil ser "100% justo" em virtude da complexidade do produto e da sua tecnologia.

O celular justo se parece visualmente com os fabricados pela Samsung e Apple, e está em fase de testes.

Quinze mil pessoas já compraram antecipadamente o telefone pela internet, como forma de ajudar a financiar o seu desenvolvimento e produção. As entregas só devem começar em dezembro. O preço do telefone justo é de 325 euros, o equivalente a R$ 968,50.

 

Comércio justo. A ideia do comércio justo já existe em muitos países até em produtos básicos como café ou bananas. A ideia das organizações por trás desse movimento é propor formas mais humanas para a economia.

O holandês Bas Van Abel, de 36 anos, resolveu colocar a proposta em prática no campo da tecnologia.

Tudo começou quando ele se interessou pelo mineral produzido no Congo e usado no processo de fabricação dos celulares, o Coltan, mistura de coulumbite e tantalita. Da coulumbite se extrai o nióbio e da tantalita, o tântalo, produtos usados na produção de componentes eletrônicos.

Van Abel descobriu que a mineração da matéria prima é o motor de uma das mais sangrentas batalhas desde a II Guerra Mundial, na República do Congo.

A fábrica do telefone justo fica na China, e a escolha foi justamente para tentar mudar o processo em uma região onde a exploração do trabalho nas indústrias é uma das piores do mundo.

"Podíamos ter ido para a Austrália, mas não queremos fugir da questão", afirmou, negando que o projeto tenha algo a ver com a intenção de tentar baratear o preço do celular justo.

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