Telefonia é bicampeã de reclamações no Procon-SP

O setor de telefonia é bicampeão de reclamações na Fundação Procon-SP, órgão de defesa do consumidor ligado ao governo estadual. As queixas contra empresas de telefonia fecharam o ano 2001 em primeiro lugar no ranking total de atendimentos do Procon-SP. Os consumidores da cidade de São Paulo continuam sofrendo com problemas de cobranças abusivas de pulsos, não prestação de serviços, dúvidas sobre reajustes, reparos, bloqueios, cortes nas linhas telefônicas e vícios de qualidade.O Procon-SP registrou entre janeiro e dezembro do ano passado um total de 68.152 atendimentos a usuários de empresas de telefonia fixa e móvel. 51.397 desses atendimentos foram referentes a consultas, e 16.755 a reclamações. No ano anterior, tinham sido registradas 6.780 reclamações e 34.367 consultas sobre os serviços de telefonia.A diretora de atendimento do Procon-SP, Maria Lumena Sampaio, avalia que o setor de telefonia continua líder em reclamações pela falta de informação ao consumidor. "O consumidor sofre com a falta de informação adequada nos serviços de telefonia fixa e telefonia móvel", ressalta. A diretora do Procon-SP destaca que apesar de as empresas estarem cumprindo as metas de qualidade da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), o atendimento ao consumidor é um ponto falho. Maria Lumena avisa que milhares de pessoas procuram o Procon-SP para reclamar do aumento excessivo de pulsos nas contas telefônicas. "A falta de discriminação e informações dos pulsos nas faturas mensais provocam problemas de cobrança indevida", destaca. De acordo com a diretora do Procon-SP, os consumidores não possuem nenhum tipo de informação clara sobre como funciona a cobrança dos pulsos. "As operadoras não informam sobre o sistema de tarifação de pulsos", afirma. As operadoras deveriam discriminar nas faturas como é realizada a cobrança dos pulsos, de acordo com o artigo 54 da resolução 85 da Anatel. O setor de telefonia não atingiu a qualidade ideal para o atendimento ao consumidor, avalia Maria Lumena. São diversos problemas de qualidade e atendimento como: suspensão do serviço sem aviso prévio, não instalação de linhas, problemas e demora na transferência de linhas e reincidência em cobrança abusiva de pulsos. Bancos As falhas dos serviços eletrônicos das instituições financeiras são responsáveis por milhares de queixas dos consumidores do Procon-SP. O setor bancário fechou 2001 em segundo lugar no ranking geral de atendimentos, com 14.979 reclamações e consultas. Maria Lumena explica que as transações eletrônicas via Internet, terminais de auto atendimento e caixas eletrônicos vêm apresentando uma série de problemas como pagamentos não concretizados e saques e débitos indevidos.A diretora de atendimento do Procon-SP também critica a tentativa dos bancos de driblar o Código de Defesa do Consumidor (CDC), substituindo-o pela Resolução 2.892 de 26 de setembro de 2001 do CMN, que tem como objetivo regulamentar a relação entre instituições financeiras e seus clientes, popularmente conhecida como Código de Defesa do Consumidor Bancário. A Confederação Nacional do Sistema Financeiro (Consif) entrou no final do ano passado com uma ação direta de inconstitucionalidade (Adin) no Supremo Tribunal Federal (STF) tentando acabar com a incidência do CDC sobre os bancos. Maria Lumena explica, no entanto, que os serviços bancários voltados ao consumidor são relações de consumo e, como tal, são amparadas pelo CDC. "É um absurdo os bancos contrariarem uma lei que há 10 anos regula as relações de consumo", afirma. Móveis Terceiro colocado no ranking geral de atendimento do Procon-SP, o setor de móveis fechou o ano com 14.460 reclamações e consultas. As principais queixas de consumidores contra empresas fabricantes de móveis são com relação à falta de padronização e normas técnicas de fabricação no setor e falta de qualidade dos produtos. De acordo a diretora do Procon-SP, o segmento de móveis populares é o que apresenta maior número de reclamações. "O consumidor financia a compra dos móveis, se decepciona com a qualidade e depois tem problemas para cancelar o financiamento", alerta Maria Lumena. Veja no link abaixo os cuidados para a compra de móveis.Veja abaixo o ranking geral de reclamações e consultas de 2001.AssuntoAssuntoTotal de reclamações e consultasTelefonia68.152Bancos14.979Móveis14.460Planos de saúde13.767Cartão de crédito9.246Energia elétrica9.219Financeiras8.873Veículos6.617Serviços de água e esgoto6.496Cursos livres6.197

Agencia Estado,

05 de março de 2002 | 18h19

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