Telefonia é campeã de queixas nos Procons pelo 2º ano seguido

Seis fabricantes de celulares e duas operadoras estão entre as 20 mais citadas

Isabel Sobral, BRASÍLIA, O Estadao de S.Paulo

05 de dezembro de 2007 | 00h00

Pelo segundo ano seguido, a telefonia liderou a lista de reclamações de consumidores nos Procons. Seis fabricantes de aparelhos celulares, duas operadoras de telefonia móvel e duas prestadoras de assistência técnica em telecomunicações estão entre as 20 mais citadas pelos consumidores, segundo o Cadastro Nacional de Reclamações Fundamentadas, divulgado pelo Departamento de Proteção e Defesa do Consumidor (DPDC) do Ministério da Justiça. As queixas mais freqüentes estão relacionadas a problemas com a garantia dos produtos e à falta de peças de reposição em caso de defeito. "São problemas típicos de empresas que trabalham a assistência técnica em rede e estão ligados aos fabricantes", ressaltou o diretor do DPDC, Ricardo Morishita. Nos quatro primeiros lugares da lista aparecem a Benq, Nokia, Gradiente e LG. A LG atribuiu a sua posição na lista ao "aumento das vendas". Também informou que terceirizou recentemente o atendimento aos clientes e está investindo na ampliação de sua rede de assistência técnica credenciada. A Gradiente afirmou, em nota, "que adotou como política o respeito ao consumidor" e, por isso, investiu este ano em um novo modelo de assistência técnica. A Nokia, também em nota, reconheceu que "há necessidade de aperfeiçoamento de serviços" e disse que já trabalha para tornar mais ágil a reposição de peças e a assistência técnica. A Benq atribuiu os "transtornos" dos clientes à reestruturação por que vem passando, mas afirmou que está investindo na melhoria do atendimento. Este é o segundo ano de divulgação do cadastro. Serviram de base 54,1 mil reclamações fundamentadas (com algum tipo de comprovação) registradas em 14 Procons entre setembro de 2006 e agosto de 2007. A base de dados é o Sistema Nacional de Informações de Defesa do Consumidor (Sindec) que interliga hoje 14 Procons. São Paulo hoje está fora do Sindec, mas deverá se integrar em 2008, com o Distrito Federal e Roraima.Morishita afirmou que o número e o tipo de queixa sobre telefonia indica a necessidade de a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) tomar medidas em relação à fabricação dos aparelhos. Ele sugeriu à agência que passe a exigir dos fabricantes a apresentação, não só o projeto de um aparelho, mas também o produto montado para certificação pela Anatel. Hoje, segundo Morishita, apenas o projeto é certificado. Ele disse que já conversou com a Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica (Abinee). A assessoria da entidade informou que só comentará a lista de queixas após analisar o levantamento dos Procons. Entre outros assuntos que permearam as reclamações dos consumidores este ano estão problemas relacionados à comercialização de aparelhos de DVD, cartões de crédito, televisões e videocassetes. O cadastro mostrou ainda que o maior número de queixas está na Região Nordeste (43%), vindo em seguida o Centro-oeste (25%), Norte (17%), Sudeste (13%) e Sul (2%).CAOS AÉREOEmbora tenha tirado o sono de muita gente no ano passado e neste ano, a crise no setor aéreo não apareceu no ranking nacional dos Procons. Morishita avaliou como "problema grave" a falta de assistência adequada aos passageiros pelas companhias aéreas, como as fiscalizações dos Procons identificaram. Mas, como há outros canais para essas reclamações, como a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) e os juizados de pequenas causas nos aeroportos, elas foram menos freqüentes nos Procons.

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