Telefónica e Repsol entre maiores devedores de bancos argentinos

A Telefónica Argentina, subsidiária da espanhola Telefónica, e a Repsol YPF, um dos maiores conglomerados do setor de petróleo do mundo, estão entre as 40 companhias que mais devem ao sistema financeiro argentino, de acordo com informe do Banco Central da República Argentina (BCRA). De acordo com o documento, outras empresas espanholas, como o Grupo Concesionario del Oeste (com capital de Autopistas Concesionarias Espanholas/Acesa) e Aguas Argentinas (25% do capital em mãos de Aguas de Barcelona), também figuram na lista de grandes devedores.A mais endividada, porém, é a companhia argentina de petróleo Pecom Energia, com US$ 310 milhões, cifra que será transformada em 310 milhões de pesos por decisão do governo, que pesificou a economia do país por meio de decretos. Transformada no cambio oficial de 1,40 peso por dólar, essa dívida passaria a US$ 221 milhões, ou US$ 89 milhões a menos do que o valor da dívida antes da desvalorização. Isso significa que a pesificação beneficiará todas as empresas que deviam em dólares, já que o montante original será reduzido.DilemaO dilema é quem pagará essa conta (diferença), os bancos ou o Estado argentino. A companhia de águas e esgoto Aguas Argentinas, por exemplo, passou a ter uma dívida de 117,4 milhões de pesos (US$ 83,8 milhões ao câmbio de 1,4 peso por dólar) e a Telefónica Argentina, 85,9 milhões de pesos (US$ 61,4 milhões). Por isso, os dois principais bancos espanhóis, o Santander Central Hispano (SCH) e o Bilbao Vizcaya Argentaria (BBVA), podem ser os mais prejudicados com as medidas anunciadas domingo passado pelo ministro de Economia, Jorge Remes Lenicov.Mas o "mico" não ficou apenas com os bancos. As empresas de serviços públicos privatizados - em sua maioria de capital espanhol -, que cobravam tarifas em dólares e têm ao mesmo tempo dívidas em dólares no Exterior, também não obtiveram resposta do governo Duhalde até agora. É provável que, nos próximos dias, comecem a negociar um ajuste de tarifas. Os termos da negociação não são conhecidos até agora, embora exista predisposição do governo argentino para conceder um ajuste de tarifas, porém não de imediato.À mesa Analistas consultados pelo jornal econômico "Expansión" indicaram que se sentem incapazes, no momento, de prever resultados até conhecer quais os impactos que podem suportar as duas instituições financeiras. Os especialistas coincidem, no entanto, em reconhecer que é necessário esquecer as estimativas de crescimento do lucro de 15% que estavam previstas para 2002. Isso significa que o SCH e o BBVA deixarão de ter a vantagem de "entidades financeiras em crescimento" em seu favor nas negociações de suas ações em bolsa.Enquanto são avaliados ainda os custos reais das perdas decorrentes da crise argentina - país que representa 6,5% dos lucros dos dois bancos -, tanto o SCH como o BBVA começam a acreditar que o castigo argentino pode levar a perder a totalidade de seus investimentos no país, onde o Santander aplicou cerca de ? 1,4 bilhão e o Bilbao Vizcaya Argentaria mais de ? 800 milhões. Um dos fatores que devem provocar essas perdas é a moratória da dívida pública argentina, que afeta a carteira de renda fixa de bônus e títulos públicos dos dois bancos.Por isso, o governo Duhalde precisa também sentar-se à mesa com os atuais detentores da dívida pública, como o Banco Río (Santander) e o Francés (BBVA), para negociar os novos termos dos compromissos assumidos pelo país. A dívida pública no mercado interno, depois de reestruturada ainda durante a gestão do ministro Domingo Cavallo, foi reduzida em 20%.Leia o especial

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.