Telefónica estuda unir telefonia fixa e Vivo, diz jornal

Após tentar comprar, sem sucesso, a participação dos portugueses na Vivo, espanhóis agora querem aproximar operações fixa e móvel

, O Estado de S.Paulo

21 de abril de 2010 | 00h00

A espanhola Telefónica quer integrar sua operação de telefonia fixa em São Paulo, a antiga Telesp, com a Vivo, empresa em que divide o controle com a Portugal Telecom, segundo o jornal britânico Financial Times. O movimento aconteceria depois de os espanhóis terem anunciado várias vezes sua intenção de comprar os 50% dos sócios portugueses, sem sucesso.

De acordo com o jornal, a Telefónica planeja negociar com a Portugal Telecom a união das operações nas próximas semanas. As duas empresas preferiram não comentar.

"O Brasil tem sido o maior gerador de lucros entre as operações latino-americanas da Telefónica, mas os ativos de telefonia fixa do grupo espanhol no País têm apresentado uma queda nos resultados ante o aumento da competição", informou o Financial Times.

Sinergia. A combinação da operação fixa com a Vivo, maior operadora celular do Brasil, poderia resultar em sinergias de até 4 bilhões, segundo alguns analistas. A Telesp, que usa a marca Telefônica, tem uma capitalização de mercado de R$ 16,7 bilhões, e enfrentou problemas sérios no ano passado, que levaram a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) a proibir a venda do Speedy, seu serviço de banda larga, por algum tempo. Essa situação levou a uma queda de 16% no lucro no último trimestre de 2009.

A Vivo tem uma capitalização de mercado de R$ 18,2 bilhões, e a Telefónica e a Portugal Telecom têm participações iguais em uma holding que controla 59% da operadora. Em 2007, os portugueses rejeitaram uma oferta de mais de 3 bilhões da Telefónica, pela sua participação na Vivo, segundo o jornal britânico.

De acordo com uma fonte do mercado, a Portugal Telecom se sente muito confortável hoje com sua participação na Vivo. No ano passado, as operações internacionais responderam, pela primeira vez, por mais da metade do faturamento do grupo de telecomunicações português.

O Brasil representa mais de 90% dessas operações internacionais. Neste ano, Brasil ultrapassará o país de origem do grupo como principal fonte de receita da Portugal Telecom.

A Telefónica estuda várias opções para melhorar suas operações no Brasil. A combinação de redes e das estruturas de marketing e administrativa da Vivo e da Telesp poderia trazer grandes cortes de gastos.

Mas, como reconhece o próprio jornal britânico, "as chances de sucesso (da Telefónica) não parecem altas". Os dois sócios têm um longo histórico de conflitos no controle da Vivo.

Alternativa. Se isso não der certo, segundo o Financial Times, a Telefónica pode buscar alternativas mais ambiciosas, como a compra da Telecom Italia, controladora da TIM Brasil.

A Telefónica, que participa do controle da empresa italiana, já tentou comprá-la há alguns meses, mas acabou esbarrando em obstáculos políticos. É difícil convencer os governantes italianos de que o controlador da principal operadora do país pode ser estrangeiro. Além disso, a dívida da Telecom Italia é alta.

Caso consiga comprar a Telecom Italia, a Telefónica deve ser obrigada, pelos reguladores brasileiros, a vender sua participação na Vivo, pois não poderia ficar no controle de duas empresas concorrentes. A TIM Brasil é a terceira maior operadora de telefonia celular do País. / AGÊNCIAS INTERNACIONAIS

PARA ENTENDER

Celular faz falta para a Telefónica

Num ambiente em que o tráfego de voz migra para o celular, a Telefónica acabou ficando restrita à telefonia fixa no Brasil. Apesar de ter participações em duas empresas de telefonia móvel (a Vivo e a TIM), na prática não manda em nenhuma. Na Vivo, as decisões são compartilhadas com os portugueses e, apesar de o relacionamento entre os grupos estar mais calmo agora, a convivência nunca foi fácil. Na TIM, até por motivos regulatórios, não pode ter voz ativa.

Enquanto isso, a Oi tem uma operação integrada de telefonia fixa e celular e a Embratel trabalha muito próxima da Claro, que pertence ao mesmo grupo. Até mesmo a TIM comprou a Intelig, reforçando sua presença no mercado de telefonia fixa, que atendia até agora com produtos sem fio. Fora do Brasil, a Telefónica tem operações integradas.

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