Telefônica para de vender o Speedy, mas diz que vai recorrer

Proibição da Anatel foi publicada ontem e empresa afirmou que vai deixar de atender novos clientes hoje

Gerusa Marques, O Estadao de S.Paulo

23 de junho de 2009 | 00h00

A decisão da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) de proibir a Telefônica de vender seu serviço de banda larga Speedy foi publicada ontem no Diário Oficial da União, e a empresa já informou que, a partir de hoje, as vendas estão suspensas. A medida da Anatel vale até que a empresa resolva os problemas que o serviço vem apresentando - foram várias panes nos últimos meses. A Telefônica, apesar de acatar a decisão da agência, disse que vai recorrer, se necessário até à Justiça, contra a medida. Ontem, o presidente da Telefônica, Antonio Carlos Valente, se encontrou com o presidente da Anatel, Ronaldo Sardenberg, e com o ministro das Comunicações, Hélio Costa, para tentar reverter a situação. O ministro concordou com o argumento de Valente de que a medida pode prejudicar os clientes e a expansão da banda larga no Estado de São Paulo e disse que vai procurar o presidente da Anatel para conversar sobre o assunto. "Vou me informar com detalhes e ver se existe alguma solução que não seja só a penalização da empresa", afirmou, após reunião com o presidente da Telefônica.Mesmo com a proibição da Anatel publicada no Diário Oficial da União, a Telefônica manteve ontem a venda do Speedy, sob o argumento de que ainda não havia sido notificada oficialmente. Se a empresa descumprir a determinação da agência, pagará multa de R$ 15 milhões, mais R$ 1 mil para cada acesso vendido. Valente informou que apresentaria à Anatel dois recursos administrativos para tentar suspender a proibição. "Vamos utilizar todos os meios que estiverem ao alcance da empresa para preservar os interesses, que nós achamos legítimos, dos nossos clientes", afirmou, ao ser questionado sobre a possibilidade de recorrer à Justiça. Segundo ele, a Telefônica vende, mensalmente, 100 mil pontos do Speedy, e o serviço de banda larga representa pouco mais de 30% da receita do grupo.Desde julho do ano passado, o Speedy passou por quatro panes, deixando milhares de clientes sem internet, incluindo serviços públicos, como Detran e Poupatempo. A frequência dos chamados "caladões" e o aumento no número de reclamações provocaram a decisão da Anatel de proibir a vendas de novas assinaturas até que o serviço seja regularizado. Nenhum dirigente da agência, no entanto, deu entrevista para explicar a medida. Valente negou que haja conexão entre as quatro panes e procurou mostrar que os problemas do Speedy estão mais relacionados com o aumento na utilização da internet do que com o crescimento da base de clientes da empresa. Segundo ele, nos últimos três anos, o número de clientes dobrou, enquanto o tráfego de informações cresceu dez vezes. "Nesse sentido, impedir a venda não é garantia de que a coisa vá melhorar", disse. Hélio Costa observou que as demais empresas de banda larga do País também enfrentam crescimento do uso da internet. "Por que está acontecendo só na Telefônica se as outras empresas têm a mesma carga?", questionou. "É de se supor que o problema esteja localizado na Telefônica." Antes da entrevista do ministro, o presidente da Telefônica havia afirmado que a empresa poderia demitir funcionários, caso a proibição das vendas se mantivesse por muito tempo. Hélio Costa achou, no entanto, "precipitado" falar em demissões neste momento. "Fica parecendo até que é uma ameaça." PUNIÇÃOBanda larga: A Anatel suspendeu a venda do Speedy e deu 30 dias para que a Telefônica apresente um plano que regularize a oferta do serviçoPenalidades: Caso não respeite a decisão, a Telefônica será multada em R$ 15 milhões pela agência, mais R$ 1 mil para cada acesso vendido

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.