Telefônica pede a suspensão da medida cautelar

Empresa também deverá apresentar pedido de reconsideração da decisão da Anatel

Gerusa Marques, da Agência Estado,

22 de junho de 2009 | 17h39

O presidente da Telefônica, Antônio Carlos Valente, disse nesta segunda-feira, 22, que a empresa ainda não foi notificada oficialmente da determinação da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) para que ela suspenda a venda dos serviços de banda larga Speedy. Depois de se reunir com o ministro das Comunicações, Hélio Costa, Valente disse que os call centers da Telefônica vão suspender as vendas do Speedy a partir da zero hora de terça-feira, 23.

 

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Na manhã desta segunda-feira, 22, o presidente da Telefônica esteve com o presidente da Anatel, Ronaldo Sardenberg, a quem solicitou a suspensão da medida cautelar. O pedido de efeito suspensivo da cautelar será protocolado ainda hoje na Anatel. Além disso, segundo Valente, a Telefônica deverá apresentar um pedido de reconsideração da decisão do Conselho Diretor da Agência. "Vamos utilizar todos os meios disponíveis para continuar prestando os serviços", disse Valente sobre a possibilidade de recorrer à Justiça para retomar as vendas.

 

O presidente da Telefônica negou que haja conexão entre as quatro panes que ocorreram no sistema de banda larga da empresa, nos últimos 12 meses. "Ainda que tenha sido um desconforto, os quatro eventos não tiveram uma origem comum", disse.

 

Segundo Valente, o aumento do número de reclamações contra a empresa na Anatel, usado como argumento pela agência para suspender as vendas, foi provocado por outros problemas como promoções e dificuldades de atendimento. Valente procurou demonstrar que os problemas do Speedy estão mais relacionados com o aumento na utilização da internet do que no crescimento da base de cliente da empresa. Segundo ele, nos últimos três anos, o número de clientes dobrou de tamanho, enquanto o tráfego de informações cresceu dez vezes. "Nesse sentido, ainda que impeça a venda, não é garantia de que a coisa vá melhorar", disse.

 

Valente disse que, no ano passado, a empresa investiu R$ 500 milhões na ampliação da rede de banda larga e que a previsão para este ano é de investimento de R$ 700 milhões.

 

O presidente da Telefônica disse que a decisão da agência prejudica os planos de expansão da banda larga em São Paulo, que passaria dos atuais 397 municípios atendidos para 488 municípios em 30 de julho. Segundo ele, desses 488 municípios, 40% não têm um segundo prestador do serviço de banda larga. Valente disse ainda que 40% dos acessos aos serviços de internet de alta velocidade estão nas classes C e D.

 

O presidente da Telefônica disse que, além da população, a medida também prejudica os profissionais vendendo os produtos e os pequenos provedores que comercializam Speedy. Segundo ele, são 130 empresas envolvidas e mais de 20 mil pessoas. Valente admitiu inclusive avaliar a possibilidade de demissão se a proibição às vendas persistir.

 

Valente disse que não conhece detalhes técnicos da determinação da Anatel e que, portanto, não pode se comprometer com o cronograma de atendimento das metas para resolver problemas. "Isso não é uma ameaça. Existe um grupo que pode ser afetado", disse. Segundo ele, a Telefônica vende, mensalmente, 100 mil pontos do Speedy e o serviço de banda larga representa pouco mais de 30% da receita do grupo.

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