Telefónica pode partir para oferta hostil pela Vivo, diz FT

Diretor diz que companhia poderá bloquear os dividendos da PT na Brasilcel e chama joint venture de 'casamento infeliz'

Daniela Milanese, correspondente,

26 de maio de 2010 | 08h19

A Telefónica eleva a pressão sobre a Portugal Telecom e diz que mantém aberta a possibilidade de partir para uma oferta hostil pelos ativos de telefonia celular no Brasil, afirma o Financial Times.

Em entrevista ao jornal britânico, o diretor financeiro da empresa espanhola, Santiago Fernandez Valbuena, também afirma que poderá bloquear os dividendos da PT na Brasilcel.

Segundo ele, as duas empresas estão vivendo um "casamento infeliz" no País. A Telefónica apresentou proposta de 5,7 bilhões de euros para comprar a fatia de 50% da Portugal Telecom na Brasilcel, joint venture pela qual as companhias controlam a Vivo. A oferta foi recusada pelo conselho de administração da PT.

Valbuena inicia hoje um roadshow pela Europa e Estados Unidos com o objetivo de apresentar a operação aos investidores. Ele insiste que o valor da proposta não será elevado, mas mantém a opção de uma oferta hostil, conforme o Financial Times.

"Isso pode sempre ser revisitado", disse ao jornal. "Nós nunca dissemos que nunca iríamos para uma (oferta) hostil."

Se a oferta falhar, o executivo levanta a possibilidade de bloquear a habilidade de a Portugal Telecom assegurar os dividendos da Vivo por meio da Brasilcel. "Não temos obrigação de agir favoravelmente (sobre os dividendos da Vivo) na Brasilcel", afirmou ao FT. "O dinheiro pode ficar na Brasilcel indefinidamente."

Para a publicação, a Telefónica busca o controle exclusivo da Vivo como parte dos esforços para resolver o problema no "coração de seu império na América Latina", já que a operadora de telefonia fixa Telesp está com desempenho abaixo do esperado em meio à competição elevada.

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