Telefónica pressiona acionistas da PT

Empresa inicia roadshow para convencer investidores internacionais de que sua proposta de 5,7 bilhões pelo controle da Vivo deve ser aceita

MADRI, O Estado de S.Paulo

25 de maio de 2010 | 00h00

A Telefónica começa amanhã um roadshow para tentar convencer os acionistas da Portugal Telecom (PT) sobre sua proposta de 5,7 bilhões pelo controle da Vivo, maior operadora celular do Brasil. A oferta, que se encerra em 6 de junho, foi rejeitada pelo conselho de administração da PT, que possui 50% do controle da Vivo, participação equivalente à da Telefónica.

Santiago Valbuena, diretor financeiro do grupo espanhol, buscará apoio de investidores como o Brandes Investments e o BlackRock à sua proposta pela empresa brasileira. O movimento é visto como essencial para os esforços da gigante de telefonia espanhola para aumentar sua escala, desbloquear sinergias e retomar o crescimento no mercado brasileiro de telecomunicações.

O presidente da PT, Zeinal Bava, começou seu roadshow na semana passada, visitando os mesmos investidores, para convencê-los de que a decisão foi acertada. A PT conquistou apoio político para sua a posição. O primeiro-ministro português, José Sócrates, descreveu a companhia como "ativo estratégico", e o Brasil, como um "mercado-chave".

Os portugueses são contrários a apresentar a proposta para votação numa assembleia extraordinária de acionistas, como defende a Telefónica. Os espanhóis são o maior acionista individual da PT, com 10% de participação. Por causa disso, poderiam convocar a assembleia, mas, segundo fontes, a estratégia preferida da companhia espanhola é a de deixar essa decisão para outros acionistas.

Contratação. Para provar sua tese e pressionar os acionistas da PT, a Telefónica contratou o banco de investimento suíço UBS e também está sendo auxiliada pelo Crédit Suisse, afirmaram pessoas familiarizadas com o assunto. O UBS é acionista minoritário da operadora portuguesa, com 2,21%.

A oferta feita pela Telefónica no início deste mês causou danos irreparáveis a uma já frágil relação entre as duas empresas, segundo uma das fontes, que acrescentou que agora não há caminho de volta para qualquer uma das companhias.

Para ambas as empresas, a Vivo é um ativo chave. A companhia brasileira correspondeu a cerca de metade da receita da Portugal Telecom no primeiro trimestre na única área que apresentou crescimento no período. A empresa de Portugal disse que a Vivo é uma parte essencial de seus negócios e deixar o Brasil seria "amputar o futuro" da PT.

A Telefônica, por sua vez, quer fundir a Vivo com a operadora de telefonia de São Paulo (Telesp) a fim de aumentar sua escala no Brasil e desbloquear ? 2,8 bilhões em sinergias. Na sexta-feira, o ING divulgou um relatório apontando que os espanhóis poderiam aumentar sua proposta para 7,5 bilhões "sem destruir valor". O Deutsche Bank afirmou, também em relatório, que a Telefónica deveria aumentar sua proposta pela Vivo em 50%. / AGÊNCIAS INTERNACIONAIS

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