Telefônica pretende lançar sua TV por assinatura até junho

O novo presidente da Telefônica, Antônio Carlos Valente, foge da polêmica com o governo. Ao contrário do seu antecessor, Fernando Xavier, que comprou briga com o Ministério das Comunicações e com a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) para aprovar a televisão por satélite da Telefônica, Valente adotou um discurso conciliador. Na prática, porém, a obsessão é a mesma. Valente já tem até data para colocar a TV no ar. "Queremos oferecer pacotes flexíveis a preços competitivos", disse o executivo ao Estado.Ele disse que espera viabilizar a TV paga da Telefônica, por meio de licença para transmissão por satélite (DTH), até junho. O pedido para que a Anatel desse o sinal verde para o negócio foi feito em maio do ano passado, mas até hoje a agência não deu resposta. Normalmente, um pedido de licença demora dois meses.PolêmicaXavier enfrentou publicamente o ministro das Comunicações, Hélio Costa, para tentar liberar a licença e fechou uma parceria com uma pequena empresa de TV paga, DTHi, para lançar o serviço no interior de São Paulo. Além de brigar com Costa, Xavier foi atacado pela empresa de TV a cabo Net, que resiste à entrada da companhia telefônica em seu mercado e acusa a Telefônica de ter comprado, de maneira disfarçada, a DTHi para driblar as restrições legais.Em meio à polêmica, a Telefônica comprou o controle da TVA, maior rival da Net, mas sua prioridade ainda é ter sua própria TV por satélite. Ao ter sua própria operação, a companhia pretende fazer o que Valente chama de universalização da TV paga no Brasil. Ou seja, vender pacotes em massa. BastidoresAs conversas de bastidores em Brasília indicam que o conselho diretor da agência pode avaliar o pedido de autorização da TV da Telefônica ainda em março. Valente não quis estimar o potencial do negócio, mas diz que há muito espaço para crescer. A companhia tem registrado vendas diárias de 2,5 mil pacotes com o serviço de internet de banda larga e TV paga desde que estreou sua parceria com a TVA em janeiro.A estratégia para enfrentar a concorrência será oferecer pacotes flexíveis, nos quais os assinantes possam decidir suas combinações, por preços bastante atrativos. Hoje, o pacote de banda larga e TV mais barato que a empresa oferece, em parceria com a DTHi ou com a TVA custa R$ 69,90. Depois da aprovação pelo órgão regulador, Valente acredita que em três meses poderá lançar o produto.Valente se baseia na experiência que teve como presidente do Grupo Telefônica no Peru. No final de julho do ano passado, a empresa recebeu a autorização para ter uma televisão no País. Em outubro, o serviço já estava disponível para os clientes. Ao final de 2006, o grupo contava com 26 mil assinantes de TV. A Telefônica também colocou no ar sua televisão no Chile em 2006 e fechou o ano com 94 mil clientes.Pacote por satéliteValente procurou se mostrar bastante tranqüilo a respeito do fato de a Globo não ter liberado ao grupo seu sinal de TV aberta para transmissão no pacote por satélite, quando a companhia tiver seu próprio produto. Ele explicou que o conteúdo da TV aberta pode ser recebido em conjunto com o sinal de satélite, bastando, para tanto, um simples preparo para as duas recepções pelo televisor.Para o executivo, a TV paga por satélite e a tecnologia de IPTV, que permite oferecer vídeo por banda larga direto no televisor, não são soluções excludentes. Ele aposta que há espaço para vender os dois serviços, de forma até mesmo complementar. A companhia pretende usar a licença solicitada à Anatel para oferecer os pacotes tradicionais, aos quais os consumidores já estão habituados. Em esperaCom IPTV, a alternativa seria ofertar conteúdos de vídeo sob demanda com portfólio variado e diferenciado. Mas a empresa aguardará a definição das questões regulatórias para definir qual será seu posicionamento comercial.Valente não acredita que o uso de diferentes tecnologias para prestar o serviço de TV paga é algo ruim para a companhia, que possa retirar as vantagens competitivas que a operação numa única plataforma traria. Além da questão regulatória ter levado a empresa a essa situação, ele alertou para a necessidade de rapidez no posicionamento comercial. "Em alguns casos, a velocidade com que você chega ao mercado compensa o fato de não se usar uma única plataforma", afirmou o executivo.

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