Telefónica quer trazer funcionários ao Brasil

Presidente da companhia espanhola fez a proposta a Dilma na última segunda-feira, quando o rei Juan Carlos visitava o Palácio do Planalto

Karla Mendes - especial para O Estado de S. Paulo,

07 de junho de 2012 | 00h18

MADRI - A Telefónica quer trazer funcionários da sua matriz na Espanha para o Brasil. Aproveitando a disposição do governo brasileiro para flexibilizar o processo de concessão de vistos de trabalho para estrangeiros nos casos em que não houver mão de obra com a requerida qualificação no Brasil, o presidente da Telefónica, César Alierta, propôs à presidente Dilma Rousseff que o grupo traga trabalhadores da Península Ibérica para o Brasil.

O assunto foi tratado em uma reunião entre o executivo espanhol e a presidente na última segunda-feira, em uma reunião que não estava prevista na agenda oficial da visita do rei Juan Carlos ao País. Fontes revelaram ao Estado que foi o próprio rei quem pediu a Dilma que recebesse Alierta no Palácio do Planalto.

A estratégia da Telefónica faz todo sentido levando-se em conta o anúncio feito pela empresa em abril de que planeja cortar 20% de seus trabalhadores na Espanha, o que representa um corte de cerca de 6 mil pessoas. No encontro com Dilma, Alierta reiterou o interesse da companhia em investir na tecnologia de quarta geração (4G) de telefonia móvel e informou à presidente que poderia fornecer mão de obra especializada para o Brasil.

Se o Brasil "aceitasse" parte desses funcionários, esse fluxo de pessoas não pressionaria tanto a taxa de desemprego do país, que já chegou a 24,3% em abril e é uma das principais vilãs da taxa de desocupação na União Europeia há meses, sem perspectiva alguma de melhora. Entre os jovens, a situação é pior: 51,5%.

Fontes do Planalto revelaram, porém, que dificilmente Dilma concederá essa benesse à Espanha. Isso porque, caso seja implantada no Brasil a concessão de visto automático para estrangeiros diante da inexistência de profissionais com a qualificação necessária no País, o processo será aberto a todos os países, e não só para a Espanha. Procurada, a Telefónica não se manifestou até o fechamento desta edição.

Outro pedido. O presidente do grupo Santander, Antonio Botín, foi recebido por Dilma em uma reunião fora da agenda diplomática na terça-feira, também a pedido do rei Juan Carlos. No encontro, Botín admitiu à presidente que o sistema bancário espanhol precisará de 40 bilhões para ser saneado, mas fez questão de deixar claro que o grupo não quer deixar o Brasil.

Botín fez questão de reunir-se em separado com Dilma depois das informações veiculadas na imprensa brasileira de que o grupo espanhol estaria negociando a venda de parte da empresa no Brasil. Nos bastidores, o que se fala é que o negócio só não foi fechado porque a operação ocorreria diante da entrada de uma das instituições bancárias na holding espanhola, mas nenhum banco quer ser sócio de um banco espanhol em um momento de tanta desconfiança no sistema financeiro do país. O Santander, porém vem negando sistematicamente que tenha qualquer interesse em vender mesmo parte do banco no Brasil.

O desconforto de Botín sobre como essas informações teriam repercutido no governo Dilma foi tão grande que ele "quebrou o protocolo" durante o almoço promovido no Palácio do Itamaraty, na segunda-feira. Ele se colocou entre a presidente e o rei, interrompendo a conversa entre os dois, que estavam sentados lado a lado, contou uma fonte.

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