Nacho Doce/Reuters
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Telefônica, Tim e Claro fazem oferta para comprar serviços móveis da Oi

Em recuperação judicial, Oi também recebeu proposta de R$ 1 bilhão da Highline do Brasil para se desfazer de suas subsidiárias

Beth Moreira, O Estado de S.Paulo

18 de julho de 2020 | 09h22

A Telefônica Brasil, a Tim e a Claro apresentaram oferta vinculante em conjunto para aquisição do negócio móvel do Grupo Oi, que está em recuperação judicial. O valor da oferta não foi informado, mas os ativos foram  avaliados em cerca de R$ 15 bilhões . A operação inclui termos de autorização de uso de radiofrequência, base de clientes do Serviço Móvel Pessoal, direito de uso de espaço em imóveis e torres, elementos de rede móvel de acesso ou de núcleo e sistemas/plataformas.

A oferta das três empresas juntas pode reduzir uma possível resistência do Conselho de Defesa Econômica (Cade) ao processo, dado que os ativos da Oi seriam divididos entre as concorrentes, diminuindo o potencial de concentração do mercado. A Oi, porém, só poderá fechar negócio depois de levar o assunto para uma assembleia geral de credores, o que está previsto para o segundo semestre. Isso porque a venda da parte móvel altera a estrutura do grupo e os termos do plano de recuperação judicial aprovado pelos credores no fim de 2018.

A operação dá andamento ao plano de transformação da empresa, que também anunciou neste sábado, 18, que recebeu proposta vinculante de R$ 1 bilhão da Highline do Brasil para compra de ativos que incluem atividades de sites de telecomunicação outdoor e indoor de transmissão de radiofrequência da companhia e suas subsidiárias (UPI Torres e Empresas Oi).

Divisão

Quando Tim e Telefônica anunciaram interesse nos ativos móveis da tele em março, a previsão era de que a divisão entre as duas empresas não seria feita em fatias iguais. Previa-se que, para a transação ficar de pé, entre 60% e 70% dos ativos da Oi iriam para a Tim, de acordo com entendimento prévio entre as empresas.

A divisão desigual seria necessária para evitar que a Telefônica, líder de mercado, ficasse ainda mais distante das concorrentes e fosse impedida pelo Cade de efetivar a compra. Agora, com a Claro na jogada, a previsão é de que essa questão esteja resolvida.

Fontes consultadas pelo Estadão/Broadcast recentemente disseram que as redes móveis da Oi são valiosas tanto pelo lado da infraestrutura - com antenas e faixas de frequência - quanto pelos clientes que agregariam ao seu comprador. A partir daí, seria possível reduzir custos com lojas, publicidade e estrutura de redes.

Investidores entendem que a operação representaria ganho de escala e corte de custos, engordando a margem de lucro e o poder de fogo para investimentos. Executivos das empresas também dizem que a consolidação das teles daria maior "racionalidade" às operações, o que pode ser traduzido como fim da guerra de preços para atrair clientes - o que notoriamente a Oi tem feito nos últimos trimestres.

 A Oi tem 42,1 milhões de clientes, o equivalente a 16,4% de participação no mercado de telefonia móvel no País. A liderança é da Vivo (marca da Telefônica Brasil), com 32,3%, seguida por Claro (24,7%) e Tim (24,0%), segundo ranking da consultoria Teleco com dados até julho.

Venda de ativos

A Oi prevê levantar ao menos R$ 22,8 bilhões com o conjunto de vendas de ativos que consta no pedido de alteração do seu plano de recuperação judicial. A proposta encaminhada para a justiça prevê a criação de quatro unidades isoladas de negócios (UPIs), organizadas na forma de sociedades de propósito específico (SPE), que servirão para separar ativos e passivos de cada um dos ramos de telecomunicações em que a operadora atua, abrindo caminho para a venda de cada um deles.

A venda das redes móveis da Oi fará com que a companhia perca aproximadamente R$ 7 bilhões em sua receita líquida no ano que vem. Com isso, a receita líquida do grupo deve recuar em torno de 40% entre 2020 e 2021, segundo laudo feito pela consultoria E&Y. Se desfazer dos ativos, no entanto, ajudará a reforçar o caixa da companhia e a empresa poderá concentrar seus investimentos na expansão da fibra ótica, apontada como o foco da sua estratégia daqui para frente.

A Oi deve fechar 2020 com um prejuízo de R$ 9,3 bilhões e voltar ao azul em 2021, com lucro de R$ 224 milhões, ainda segundo laudo da E&Y. A receita líquida deve ficar em R$ 18,5 bilhões em 2020 e R$ 11 bilhões em 2021.

Nova cara

Pelo plano de reorganização da companhia, com a concentração da atuação em torno das redes de fibra ótica, um dos braços do grupo será chamado de InfraCo. Esse atuará como uma rede neutra e independente que oferecerá uma infraestrutura de conectividade e transporte de dados para as demais operadoras, incluindo suporte ao futuro sinal 5G.

Ainda segundo o laudo da EY, a InfraCo, principal unidade de negócios restante após a venda dos demais ativos da Oi, deverá dar lucro a partir de 2022. A perspectiva é de que a InfraCo tenha prejuízo de R$ 261 milhões em 2021, mas volte ao azul nos anos seguintes, com lucro de R$ 111 milhões em 2022, R$ 519 milhões em 2023 e de R$ 859 milhões em 2024, superando o patamar de R$ 1 bilhão a partir de 2025 e lucrando R$ 2 bilhões em 2029.

O outro braço, batizado de ClientCo, será focado em serviços de banda larga, TV por assinatura e soluções de tecnologia para residências e empresas.

Conclusão da venda dos serviços móveis

Segundo as empresas envolvidas na oferta para compra dos serviços móveis da Oi, a proposta foi submetida à apreciação do grupo endividado e está sujeita a determinadas condições. Telefônica Brasil, Tim e Claro terão o direito de cobrir o melhor dentre os demais lances apresentados no processo competitivo de venda do negócio móvel do Grupo Oi.

"No caso de aceitação da proposta apresentada e na hipótese de concretização da operação, cada uma das interessadas receberá uma parcela do referido negócio", informam as empresas em fato relevante enviado à Comissão de Valores Mobiliários (CVM), sem dar maiores detalhes da proposta. A perspectiva da Telefônica é que, se concretizada, a transação agregará valor para seus acionistas e clientes através de maior crescimento, geração de eficiências operacionais e melhorias na qualidade do serviço. "Além disso, contribuirá para o desenvolvimento e competitividade do setor de telecomunicações brasileiro", informou a companhia.

Já a Tim destacou que a operação é uma oportunidade de aceleração do seu crescimento e do aumento da eficiência operacional. "Na visão dos clientes, a transação promoverá ganhos na experiência de uso e melhoria na qualidade do serviço prestado, além da possibilidade de lançamento de produtos e ofertas", afirmou a tele.

A Tim acrescentou que o mercado de telecomunicações em geral terá como benefícios o reforço da capacidade de investimento, inovação tecnológica, bem como da sua competitividade.

A Claro, por sua vez, disse que a perspectiva é que, se concretizada, a transação agregará valor para seu seus acionistas e clientes através de maior crescimento, geração de eficiências operacionais e melhorias na qualidade do serviço.

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