Telefônicas dizem que País é o 4º mais barato, e não o 58º mais caro

Telefônicas dizem que País é o 4º mais barato, e não o 58º mais caro

Sindicato das operadoras de telefonia afirma que o ranking da União Internacional de Telecomunicações foi feito com dados defasados ou descolados da realidade brasileira

O Estado de S. Paulo

25 de novembro de 2014 | 12h10


SÃO PAULO - As empresas que prestam serviços de telefonia protestaram contra a pesquisa divulgada pela Organização Internacional das Telecomunicações (UIT), que mostrou o Brasil como o país onde os telefonemas estão entre os mais caros do mundo.

O sindicato das operadoras de telefonia (SindiTelebrasil) afirma que o estudo foi feito com dados defasados ou descolados da realidade brasileira para chegar ao ranking. 

O sindicato das empresas já havia apresentado em outubro estudo da consultoria Teleco para tentar desconstruir os parâmetros da entidade internacional. 

Para as operadoras, o minuto do celular pré-pago no Brasil é o quarto mais barato do mundo, enquanto para a UIT o Brasil tem o 58º serviço mais caro do mundo, entre 166 países. 

Segundo o SindiTelebrasil, a UIT considera em seu documento uma espécie de “preço-teto”, homologado pela Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), mas que não é praticado no País. “O preço médio do minuto do celular no Brasil é de cerca de US$ 0,07, o que representa 13% do preço apontado pelo levantamento da UIT”. /

Estudo. O preço médio do minuto do celular no Brasil é de cerca de US$ 0,07 (7 centavos de dólar), o que representa 13% do preço apontado pelo levantamento da União Internacional de Telecomunicações (UIT), segundo o sindicato das operadoras. 

A diferença de preços pode ser explicada pela metodologia utilizada pela UIT, que provoca uma distorção nos resultados ao levar em conta os planos "homologados" pela Anatel, que são uma espécie de preço-teto do minuto da telefonia móvel, e não os valores efetivamente praticados no mercado brasileiro.

Um estudo elaborado pela consultoria Teleco, a pedido das operadoras, indica que o minuto do celular no Brasil é o quarto mais barato do mundo, considerando um grupo de 18 países, que concentram 57% dos telefones celulares do mundo. 

De acordo com o levantamento, feito diretamente nos sites das prestadoras de cada país, o preço do minuto no Brasil é de US$ 0,07, ficando atrás apenas da China, Índia e Rússia. 

Esse valor leva em conta dados de tráfego que mais se assemelham ao perfil de uso do celular no Brasil e já inclui os tributos.

O estudo mostra que os tributos têm um peso bastante significativo nos preços da telefonia móvel no Brasil. De acordo com o levantamento, o Brasil tem a maior carga tributária entre os 18 países pesquisados. Os tributos no Brasil representam 43% da receita líquida, quase o dobro do segundo colocado, que é a Argentina (26%) e 14 vezes maior que os da China (3%).

Análise. Para o sindicato das operadoras, os números merecem três análises. A primeira leva em conta a realidade brasileira, numa cesta de produtos de 100 minutos de ligações, sendo 90% destinadas a celulares da mesma prestadora, 5% para celulares de outras prestadoras e 5% para telefones fixos. Essa Cesta Brasil custa US$ 6,90, cerca de R$ 15,00, com tributos, segundo valores apurados durante a realização do estudo, em julho deste ano.

A segunda leva em conta a média de utilização entre os 18 países estudados. Neste caso, considerando-se os mesmos 100 minutos, o volume de chamadas para celulares da mesma operadora é de 70%, para telefones móveis de outras operadoras é de 15% e para telefones fixos 15%. Neste cenário, a cesta no Brasil custa US$ 15,20, com tributos.

A terceira utiliza os mesmos itens da cesta da UIT, com baixa utilização do serviço. São 51 minutos, sendo 53,1% em chamadas para celulares da mesma operadora, 26,4% para ligações para telefones móveis de outras operadoras e 20,5% em chamadas para telefones fixos. Com isso, a cesta brasileira apurada é de US$ 12,20, com tributos. 

O resultado do estudo da Teleco, segundo as empresas, mostra que a mesma cesta utilizada pela UIT custa um quarto do valor apontado no relatório da União Internacional de Telecomunicações, que foi de US$ 48,32, com tributos. Considerando então a Cesta Brasil, que mais se assemelha ao perfil de consumo do brasileiro, o preço do minuto do celular no Brasil é oito vezes mais barato que o apontado pela UIT, dizem as operadoras.

Caso os valores apontados pela UIT estivessem corretos, segundo o sindicato das empresas, a conta média do brasileiro, que gasta em média 132 minutos por mês, seria de cerca de R$ 180, ou seja, 25% do salário mínimo brasileiro. Dados do IBGE mostram que o gasto das famílias com celular é de cerca de 1% da renda. Quem ganha até R$ 830, por exemplo, tem um gasto de R$ 7 por mês com o celular.

No Brasil, existem 278 milhões de clientes e uma infinidade de planos que faz com que o preço real do minuto de ligação seja bem mais barato do que foi apontado pela UIT, garantem as empresas. Esse mesmo valor encontrado no estudo da Teleco, de R$ 0,15 por minuto, também foi apontado como o preço médio praticado no Brasil pela Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) em seu Relatório Anual de 2013. 


 

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