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Telegramas mostram que subsídio não parou

Papéis divulgados pelo WikiLeaks revelam que, mesmo após reunião na OCDE, os fabricantes de aviões continuaram a receber ajuda oficial

Jamil Chade e Raquel Landim, O Estado de S.Paulo

29 de maio de 2011 | 00h00

Foram gastos milhões de dólares em horas de trabalho de advogados e diplomatas na disputa entre Brasil e Canadá na indústria da aviação. O caso se tornou emblemático, mas telegramas revelados pelo WikiLeaks garantem que nem os subsídios nem as acusações mútuas foram estancados.

"Vemos uma perspectiva muito baixa de que os níveis de subsídios à Bombardier decaiam", disse a embaixada dos Estados Unidos no Canadá em telegrama de 4 de agosto de 2005. Segundo os diplomatas, a Bombardier é a principal indústria de Quebec, região contestada por movimentos separatistas. "Observadores da Bombardier dizem que as conexões da empresa sobreviverão a qualquer mudança de governo e os dólares continuarão a fluir."

Em outro documento, de 18 de março de 2005, a diplomacia americana diz que "os governos federal, de Quebec e de Ontário estão oferecendo novos incentivos à indústria aeroespacial". "Isso marca um retorno significativo dos subsídios industriais pelo governo canadense."

Em 2006, os países selaram um acordo para regular os financiamentos governamentais ao setor aéreo na Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). Apesar de não ser membro da entidade, o Brasil também participou.

Os fabricantes garantem que esse acordo resolveu as disputas, pois reduziu a importância dos subsídios estatais nos negócios. Um telegrama da diplomacia americana, de 25 de setembro de 2009, questiona essa versão.

Tensão. O documento descreve uma tensa reunião entre o Tesouro americano e autoridades canadenses das agências de financiamento. O recado de Washington era que o apoio às exportações da nova linha da Bombardier pressionaria os EUA por mais subsídios para a Boeing.

O Tesouro americano apelou aos canadenses para aderir a um entendimento informal entre Europa e Estados Unidos, que impede Boeing e Airbus de utilizar subsídios nas vendas aos mercados americano e europeu. O Canadá se recusou e alegou que a Embraer deveria fazer o mesmo.

"Em diversos momentos do diálogo, os canadenses afirmaram que se opunham fortemente a amarrar as mãos no financiamento a exportações se o Brasil não fosse contido da mesma forma", disse o telegrama.

Semanas atrás, os Estados Unidos autorizaram o Eximbank a financiar vendas da Boeing no mercado local, apesar de o apoio à exportação ser missão do banco. O objetivo é combater as vendas da Bombardier, com subsídio canadense.

A Airbus também terá subsídios e a Embraer já vende nos EUA com apoio do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

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