Teles preparam reforço para evitar 'caladão' no fim do ano

Tradicionalmente, o tráfego intenso de dados e voz no fim do ano congestiona as redes e prejudica o serviço

LUIZA VIEIRA, MARCIO DOLZAN, ESPECIAL PARA O ESTADO, O Estado de S.Paulo

28 de dezembro de 2012 | 02h07

Os problemas apresentados nos serviços de telefonia e internet móvel ao longo do ano e a recente afirmação do presidente da Anatel, João Rezende, de que as melhorias apresentadas pelas teles nos últimos meses foram insatisfatórias deverão refletir nas festas de fim de ano. Com cerca de 260 milhões de linhas de celulares no País, é de se esperar que a madrugada da virada do ano seja de transtorno para o usuário, quando tradicionalmente as redes congestionam e milhões de clientes ficam sem sinal.

A grande simultaneidade de acessos verificada especialmente na madrugada de 1.º de janeiro invariavelmente ultrapassa a capacidade de atendimento das operadoras, como explica o especialista Antônio Carlos Gianoto, professor do curso de engenharia elétrica da FEI. "As operadoras têm interesse em oferecer (um bom serviço), porque quanto mais a pessoa fala, mais ela consome. Mas, há um limite. Por mais estrutura que a operadora tenha investido, chega um momento que não suporta."

Numa tentativa de evitar o congestionamento de linhas, as principais operadoras do País prometem reforço na infraestrutura. A Oi afirma que vai ativar 16 estações radiobase móveis e reforçar a capacidade das já existentes em todo o País, em especial em capitais e regiões litorâneas que costumam levar grande público durante as festas de fim de ano. Em Copacabana, no Rio, cuja festa da virada deve atrair dois milhões de pessoas, a operadora pretende instalar quatro estações móveis em diferentes pontos da orla.

Baseada nos números de 2011, a TIM prevê um aumento de 36% na demanda de chamadas telefônicas. A operadora não fez menção a reforços pontuais e informa que o foco dos investimentos segue na implantação do Plano de Ação para Melhoria do Serviço Móvel, apresentado para Anatel em agosto e que prevê a aplicação de R$ 9,5 bilhões no triênio que se encerra em 2014.

A Nextel diz ter instalado novas torres e realizado expansão da capacidade em algumas cidades litorâneas de São Paulo, Rio e nas regiões Sul e Nordeste. A operadora garante ainda que fará testes frequentes de monitoramento de rede, visando identificar possíveis problemas.

Segunda maior em número de linhas, a Claro informou que sempre reforça a capacidade de tráfego no fim do ano, mas não deu maiores detalhes. Já a Vivo, que tem cerca de 30% do mercado nacional, foi procurada, mas não se manifestou.

Desde julho, a Anatel vem acompanhando de perto o desempenho das operadoras, que se comprometeram a realizar melhorias na infraestrutura da rede.

Procon. O cliente que se sentir lesado pela queda do sinal pode acionar os serviços de proteção ao consumidor. Segundo Fátima Lemos, assessora técnica do Procon-SP, o ideal é registrar a queixa informando o período que ficou sem o serviço, e isso vale tanto para a telefonia móvel quanto para o pacote de dados.

"O cliente tem muitas maneiras de provar que ficou sem o sinal, como, por exemplo, com o histórico de chamadas no aparelho", explica. De acordo com Fátima, é importante que o consumidor registre a queixa na operadora - se possível, no momento em que ele estiver sem o serviço -, depois na Anatel e, por último, no Procon. "É uma forma de as operadoras e de a própria Anatel manterem o controle de qualidade", diz.

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