Telesp volta a atrair a atenção dos analistas

A consolidação da liquidez das ações da Telesp e os bons fundamentos da companhia estão fazendo com que os analistas de mercado voltem a acompanhar a empresa e a recomendar a compra dos papéis. Alguns bancos já reiniciaram a cobertura da operadora e outros pretendem retomá-la no começo de 2002.A Telesp foi deixada de lado pela maioria dos especialistas depois que sua controladora Telefónica realizou no ano passado uma operação que retirou de circulação grande parte dos papéis da empresa brasileira. A companhia espanhola trocou as ações de sua controlada por recibos de seus próprios papéis (BDRs, na sigla em inglês).Logo após a efetivação da troca de ações, a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) retirou a Telesp da composição do Ibovespa, índice que mede a valorização das ações mais negociadas na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa). Poucos meses depois, entretanto, os papéis retornaram para a carteira do indicador, mas com uma pequena participação - atualmente em 0,86%.Entre as corretoras que finalizaram a cobertura, uma das primeiras a retomar foi a BES Securities, que divulgou relatório em maio. A analista Carolina Gava afirmou que a decisão foi motivada pela procura por informações sobre a empresa e pela percepção de que sua liquidez ainda era significativa.Bons resultadosNo fim de setembro, a Fator Doria Atherino Corretora também retomou os trabalhos sobre a empresa. Segundo a analista Jacqueline Lison, a permanência na composição do índice e os bons resultados da companhia justificam o acompanhamento. Além disso, ela comentou que a Telesp oferece perspectivas mais seguras em relação às demais empresas de telefonia fixa, Telemar, Brasil Telecom e Embratel. Isso porque a controladora Telefónica tem uma estratégia bem definida para os investimentos na América Latina.O analista do Unibando Edigimar Maximiliano contou que a instituição vai divulgar até o fim do ano um relatório com reinício de avaliação. A Sudameris Corretora também tem planos de cobrir novamente a operadora. O especialista Eduardo Hajime explicou que principalmente para carteiras focadas no setor é importante o investimento em Telesp. Sendo assim, a cobertura torna-se relevante.Hajime comentou que atualmente o giro médio diário de Telesp na bolsa brasileira está em R$ 2,2 milhões. Muito próximo, portanto, de companhias celulares bem negociadas como Tele Centro Oeste Celular, que movimenta R$ 3,5 milhões, Telemig Celular (R$ 2,4 milhões), Tele Nordeste Celular (R$ 1,8 milhões) e Tele Celular Sul (R$ 2,2 milhões).A Itaú Corretora foi uma exceção entre as instituições de análise, pois não abandonou a cobertura da empresa após a troca de ações. O chefe de análise da corretora, Reginaldo Alexandre, ressaltou que para acompanhar o setor é de extrema importância ter uma avaliação de Telesp. Ele também destacou a estrutura operacional da empresa, que tem eficiente controle de custos e baixo endividamento, além da menor provisão para devedores duvidosos.A BBV Corretora também tem intenções de voltar a avaliar a operadora a partir de 2002. Segundo o analista especializado em telecomunicações, Roger Oey, como a instituição possui a análise da controladora Telefónica - feita por um profissional estrangeiro -, o acompanhamento de Telesp é complementar e importante.

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