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Televisões de tubo abandonadas viram lixo

Equipamentos são deixados pelos donos na oficina dos irmãos Coimbra, que antes consertavam os aparelhos; agora, desovam no ferro-velho

André Borges, O Estado de S.Paulo

15 de outubro de 2016 | 20h00

Uma pilha de TVs de tubo ocupa parte da entrada da pequena loja dos irmãos José Coimbra e Joélcio Coimbra, em Ceilândia, cidade mais populosa do Distrito Federal. Os aparelhos não estão ali para conserto. São lixo. A maioria foi abandonada pelos donos, que trocaram os antigos tubos de raios catódicos pelas modernas TVs de tela plana.

José explica que o amontoado de equipamentos da Eletrônica Coimbra só diminui quando um carrinho de ferro-velho passa pela rua. Quase que diariamente, alguém aparece com um aparelho de tubo na loja. Mas não é para consertar o equipamento. “Eles querem vender ou doar pra gente. Não aceitamos mais, não temos onde colocar. Hoje eu quase tenho de pagar para que levem os aparelhos daqui”, diz José, de 72 anos.

A evolução tecnológica e a digitalização da TV não intimidaram os Coimbra. Na loja, os irmãos seguem no ofício que desempenham há 45 anos, desde quando aprenderam a consertar televisores pelos cursos do Instituto Universal Brasileiro (IUB), escola técnica que fez história no País nas décadas de 1970 e 1980, ao enviar apostilas e kits de peças pelo correio aos seus alunos.

A mudança no mercado de eletrônicos, porém, complicou as coisas para o negócio da família. Apesar da explosão de venda de aparelhos nos lares, os consertos minguaram. “As TVs antigas duravam mais e eram mais caras. Então, quando algo quebrava, as pessoas queriam consertar. Hoje, esses aparelhos modernos têm uma vida útil muito menor, mas quando dá defeito, a pessoa prefere comprar outra, porque a troca da peça acaba ficando um pouco cara”, explica Joélcio, de 70 anos.

Com a digitalização dos aparelhos, a antiga troca de componentes defeituosos deu lugar para a troca de placas inteiras de circuitos, explica José. “São peças mais caras, as pessoas não querem pagar.”

A venda de conversores digitais também deixou de ser negócio para as assistências, por causa da queda no preço desses aparelhos e pelo fato de já estarem embutidos nas TVs. “As coisas mudaram muito. Houve uma época que a gente chegava a negar serviço, por causa do volume de TVs que recebia. Eram 200, 250 aparelhos por mês. Hoje, caiu muito. Você trabalha, basicamente, para pagar suas contas e não ficar em casa.” 

 

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