Telmex diz que pretende investir na Espanha

Carlos Slim, dono da empresa, quer levar para a Europa a disputa que trava com a Telefónica na América Latina

Reuters, O Estadao de S.Paulo

10 de junho de 2008 | 00h00

O bilionário mexicano Carlos Slim, que controla a maior empresa de telefonia fixa do México, a Telmex, está interessado em investimentos no mercado de telecomunicações espanhol, segundo declarações dadas ao jornal espanhol El País. "Sim, claro, nós estamos interessados no setor de telecomunicações", respondeu Slim ao comentar uma pergunta sobre se gostaria de investir na Espanha. O executivo disse já ter tentado, sem sucesso, entrar no mercado celular espanhol.A maior empresa de telecomunicações da Espanha é a Telefónica, que já compete com a Telmex no México, onde obteve direito de usar a rede fixa da companhia de Slim. "Se as autoridades nos disserem para fazer algo, nós faremos, e isso é o que estamos fazendo, e agora nós fornecemos interconexão. Mas elas precisam mudar a lei, porque o que está acontecendo agora é uma violação da legislação", disse Slim. Segundo ele, a lei mexicana apenas permite a interconexão para companhias controladas por nacionais.BOLSAA Telmex Internacional, a empresa criada por Slim para concentrar os ativos internacionais do grupo, estréia hoje na Bolsa do México. A intenção do grupo ao colocar esses ativos em uma empresa separada é capitalizar o seu potencial de expansão, com menos entraves regulatórios que os da Telmex. A nova empresa aposta em um modelo integrado de negócios com pacotes de telefonia, internet e TV paga - conhecido como triple play - na América do Sul. "Acredito que a Telmex Internacional tem muito mais potencial que a Telmex México, pois conta com um mercado com maiores expectativas de crescimento", disse o analista Gerardo Copca, da empresa de assessoria financeira MetAnDalisis. A Telmex já tem filiais de telefonia fixa, internet e de TV por assinatura no Brasil, Argentina, Chile, Colômbia, Equador, Peru e Uruguai. Tem também uma unidade de listas telefônicas no México e nos Estados Unidos. Sua filial mais importante é a brasileira Embratel.Os analistas não crêem, no entanto, que o potencial da Telmex Internacional seja tão explosivo quanto o da América Móvil, a empresa de telefonia celular que foi separada da Telmex em 2001 e se converteu na maior empresa de telefonia móvel da América Latina. "Quando surgiu a América Móvil, o mercado de telefonia celular era inexplorado", disse Copca. "A situação agora é completamente diferente."Hoje, a Telmex Internacional vai enfrentar mercados muito mais maduros de telefonia e TV paga na região. "Espera-se que o ativo mais importante da Telmex Internacional (a Embratel) cresça lentamente nos próximos anos", disse o banco de investimentos UBS.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.