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Tem como jogar na defesa?

Com a taxa básica de juros em 2%, investidor busca diversificar portfólio de sua carteira

Fábio Gallo, O Estado de S.Paulo

10 de agosto de 2020 | 05h00

A nossa taxa básica de juros, a Selic, que baixou para 2% ao ano (mínima histórica), oficialmente coloca o Brasil no grupo de países com taxas reais de juros negativas, descontando da taxa nominal a inflação projetada para os próximos 12 meses. Não é uma situação que deverá prevalecer para o futuro, mas de qualquer maneira traz ao investidor brasileiro questionamentos sobre como operar sua carteira de investimentos

A saída, mais do que falada, para a realização de ganhos e/ou preservação da riqueza, é a alocação de recursos em ativos de maior grau de risco. Por outro lado, nós estamos num ambiente recessivo e sem perspectivas claras sobre a recuperação de nossa economia. Particularmente , o investidor brasileiro que estava acostumado a retornos com renda fixa, olha para os índices de mercado e sente-se desconfortável. Para exemplificar, o Ibovespa ainda não recuperou o nível do inicio do ano, mas desde março, quando esteve no fundo do poço, já subiu mais de 60%. 

Nesse cenário, uma das estratégias oportuna é a de investimento defensivo. Alocar recursos de maneira conservadora e administrando a carteira para não colocar em risco o principal, aplicando em títulos e setores ditos defensivos. Em outros termos, o investidor busca limitar o grau de risco assumido no seu portfólio. Essa estratégia pressupõe aplicar em ações que normalmente sofram menos com a volatilidade do mercado de capitais. 

Um exemplo fácil é comprar ações que pagam dividendos em vez de ações com alto potencial de crescimento. Embora essa prática seja indicada em tempos de mares mais bravios, pode fazer parte da estratégia permanente de gestão de sua carteira. Mas lembre-se de que investimento defensivo não significa estar isento de risco. Usualmente um ativo é assim rotulado com base no seu comportamento em períodos de maior volatilidade de mercado, mas nesse grupo temos uma gama de ativos e com graus de riscos variados. 

Podemos ter ações, fundos, títulos públicos e privados, entre outros. Aqueles que quiserem colocar em prática essa estratégia devem estar preparados para ajustes mais constantes na alocação dos ativos da carteira. Outro aspecto importante é a diversificação, inclusive considerando aplicar em ativos no exterior. Um relatório de 2019 do JP Morgan mostra que embora o Brasil seja a maior economia da América Latina, responde por menos de 3% do PIB global e apenas 1% ou 2% dos mercados de capitais do mundo. Mas, mesmo assim, os investidores brasileiros podem ter 99% de seus investimentos em ativos baseados no Brasil, além de concentrações em setores específicos, como o setor financeiro e o de energia. 

De qualquer maneira este período está nos fazendo ficar mais atentos ao nosso bolso, gastando com mais cuidado, buscando economias e fazendo investimentos com mais atenção.

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