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Tem petróleo até no preço das flores

Ele está nos adubos, que chegaram a subir até 100%

O Estadao de S.Paulo

07 de junho de 2008 | 00h00

O aumento do petróleo chegou ao mercado de flores. Produtores de rosas, gérberas, antúrios e crisântemos, entre outras espécies, chamadas de flores de corte, começam a reajustar custos pela alta dos preços de fertilizantes, defensivos agrícolas e embalagens de plástico."Flores são vendidas pela beleza e por isso é preciso investir em fertilizantes e defensivos para um produto de alta qualidade", resume o produtor de rosas César Maurício Torres Martinez.Os adubos, por exemplo, representam 10% do custo da rosa, segundo o engenheiro-agrônomo Fernando Batista Torres Neto, da cooperativa de insumos de Holambra . Mas a alta expressiva dos preços desses insumos está afetando o lucro do produtor. O nitrato de potássio, fertilizante usado na produção de flores de corte, custava no ano passado, em média, R$ 1,45 o quilo. Hoje sai por R$ 3,00, um aumento de mais de 100%.Produtos mais afetados pelo extrativismo, como as flores de corte, explica o agrônomo, precisam muito de nutrientes. Eles são utilizados em intervalos de uma e duas vezes por semana ou a cada 15 dias, dependendo do tipo utilizado. Além dos adubos, produtos de plástico utilizados nas embalagens e proteção da flor também aumentaram."Só a redinha de plástico que envolve os botões de rosa teve um reajuste de 32% nos últimos meses", diz o agrônomo. O custo do pacote de 15 quilos passou de R$ 155 para R$ 205. O invólucro plástico, explica, faz com que a rosa desabroche maior e alcance um preço mais competitivo ante as rosas importadas. O produto vindo de fora é uma dor de cabeça a mais para os produtores. "Com o dólar tão desvalorizado, a quantidade de rosas importadas da Colômbia e do Equador cresceu muito e a concorrência aumentou", diz Martinez. Em contrapartida, as exportações caíram. "Há dois anos as vendas externas representavam cerca de 4% do nosso volume produzido. Hoje representam a metade", diz o produtor Adriano Van Rooyen.Os custos de produção, calcula, com todas as altas de derivados do petróleo, estão de 10% a 15% superiores aos de 2007. "Os defensivos, em grande parte importados, estão com aumento menor, em torno de 10%, por causa do câmbio favorável", diz. "Mas o frete, com o reajuste do diesel, as embalagens plásticas e o custo da mão-de-obra, que é bastante intensiva na produção de rosas, pesam bastante", observa Van Rooyen.Outro produtor de gérbera, antúrio, begônia e hibisco, na região de Holambra, Rene Zernooy, diz que está reduzindo margens porque é difícil o repasse automático de preços.

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