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Temas de Cingapura emperram negociações em Cancún

O ministro das Relações Exteriores do Brasil, Celso Amorim, informou que as negociações sobre os chamados temas de Cingapura "não estão andando". Amorim está participando de um "Green Room", reunião a portas fechadas realizada por um pequeno grupo de países toda vez que ocorre um impasse grande sobre determinado tema. Desde ontem, quando foi divulgado o texto base do presidente da Conferência de Cancún, Luis Ernesto Derbez, para as negociações entre as delegações dos 148 países que participam da 5ª Reunião Ministerial da Organização Mundial do Comércio (OMC), um grupo de 70 países em desenvolvimento está irredutível sobre os temas de Cingapura. Países como Índia e Malásia se recusam a aceitar um documento final da Confereêcia de Cancún que contemple o início de negociações de temas como investimentos, compras governamentais e facilitação do comércio internacional.Já para o Brasil e outros países em desenvolvimento, que criaram o G-21, as questões agrícolas são mais importantes, porém nesse caso, o ministro Celso Amorim disse que houve pequenos avanços no texto base, embora continue ainda bastante longe das reivindicações do G-21. "As negociações dos temas de Cingapura não estão andando e a União Européia já percebeu isso", explicou Amorim, através de seu porta-voz. O Brasil, segundo ele, já mostrou simpatia pelos problemas levantados pela Índia e outros países e está tentando contribuir para encontrar uma solução. Até porque, o Brasil está tentando salvar o trabalho já feito nas negociações das questões agrícolas. Mas a Índia, Malásia, Paquistão e outros países não aceitam nem discutir a inclusão dos temas de Cingapura no documento final de Cancún. Na área de investimentos, por exemplo, aqueles países temem que permitindo estabelecer regras no âmbito da OMC, os governos nacionais vejam reduzida sua capacidade de regular e direcionar os investimentos estrangeiros nos seus países.No caso de compras governamentais, esses países preferem ainda privilegiar as empresas nacionais e não gostariam de abrir licitações internacionais. O Brasil não tem problemas quanto à inclusão dos temas de Cingapura, mas há o temor de que americanos e europeus tentem barganhar a exclusão desses temas em detrimento de concessões ainda maiores na área de agricultura.Na opinião do coordenador da Campanha Internacional de Comércio da Organização Não Governamental (ONG) ActionAid, Adriano Campolina, as negociações caminham para um acordo muito genérico - indo na linha de um protocolo de intenções - ou um não-acordo. "Mas eu prefiro um não-acordo a um acordo ruim. Isso porque com o novo equilíbrio de poder na OMC, com o surgimento do G-21 e de outras alianças entre os países, é melhor começarmos a negociar um novo acordo em melhores bases a aceitar condições desfavoráveis agora", disse.

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