André Dusek/Estadão
André Dusek/Estadão

Temendo fuga, Justiça proíbe saída do Brasil de 'contadora' do esquema do Carf

Para o MP, há fortes indícios do papel relevante de Gegliane Maria Bessa Pinto na organização criminosa que atuava no Carf para tentar reduzir ou anular multas aplicadas pela Receita Federal

Adriana Fernandes, Rachel Gamarski, Andreza Matais , O Estado de S. Paulo

30 de junho de 2015 | 19h38

BRASÍLIA - A Justiça Federal proibiu nesta terça-feira a saída do Brasil de Gegliane Maria Bessa Pinto, que trabalhava para uma das empresas investigadas pela Operação Zelotes, da Polícia Federal. Ela é suspeita de integrar o esquema de corrupção no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf). Conforme as investigações, decisões tomadas pelo chamado tribunal administrativo da Receita Federal foram vendidas para grandes grupos empresariais entre 2004 e 2014. 

Apontada como uma das "contadoras" do esquema, Gegliane é considerada peça crucial nas investigações. Para o Ministério Público, há fortes indícios do seu papel relevante na organização criminosa que atuava no Carf para tentar reduzir ou anular multas aplicadas pela Receita Federal.

A decisão da juíza federal, Marianne Bezerra Sathler Borré, ao qual o Estado teve acesso, foi dada nesta terça-feira a pedido do Ministério Público Federal. A magistrada determinou, ainda, a apreensão dos passaportes de Gegliane e que os órgãos encarregados de fiscalizar as saídas do Brasil fossem comunicados. Não há no despacho prazo para que ela possa retornar à África do Sul. 

No despacho, a juíza acatou pedido do Ministério Público, que considerou risco de fuga da investigada. "A ciência da gravidade dos fatos investigados pode fazê-la não mais querer voltar para o Brasil (...) A investigada não é pessoa desprovida de recursos financeiros e tem total possibilidade e facilidade de se deslocar para o exterior e até mesmo evadir-se."

Ex-funcionária da J.R. Silva Advogados e Associados, Gegliane mora atualmente na África do Sul e veio ao Brasil para depor nesta terça-feira na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Senado Federal, que apura as irregularidades no Carf. Os senadores aceitaram o pedido dela para que a reunião fosse reservada, sem a presença da imprensa. 

A investigada, conforme o inquérito, trabalhava para o ex-conselheiro do Carf José Ricardo da Silva, dono da J.R Silva. Ela seria responsável pela contabilidade das empresas do ex-conselheiro e tinha a obrigação de gerir todos os recursos que entravam e saiam das diversas empresas que atuavam no esquema. Além da JR Silva, o ex-conselheiro também mantinha a SGR, APS, Agropecuária Terrafertil, dentre outras. O documento diz ainda que Gegliane não se limitava a cumprir ordens de José Ricardo e que, certamente, tinha conhecimento sobre a natureza das avenças assinadas e sobre a ilicitude dos negócios. O Estado apurou que ela será intimada a depor nesta quarta-feira no Ministério Público.

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