Jodson Alves/Efe
Jodson Alves/Efe

Temer admite mudanças na reforma da Previdência, diz Cássio Cunha Lima

Durante reunião com parlamentares governistas, o presidente teria reconhecido que "houve problemas de comunicação" do governo sobre a reforma

Julia Lindner, O Estado de S.Paulo

28 de março de 2017 | 22h17

BRASÍLIA - O senador Cassio Cunha Lima (PSDB-PB) disse que o presidente Michel Temer sinalizou estar aberto para discutir alguns pontos da Reforma da Previdência, durante reunião com parlamentares governistas na noite desta terça-feira, 28. "Temer se mostra sensível com o Benefício da Prestação Continuada (BPC) e admite uma discussão também em relação ao trabalhador rural", contou Cássio.

O presidente teria admitido a criação de uma comissão de sistematização tripartite - com representantes do Executivo, Legislativo e Judiciário - para discutir esses aspectos da reforma. Temer também reconheceu que "houve problemas na comunicação" do governo sobre a reforma. "Do lado dos senadores há um consenso em relação à necessidade de uma melhor comunicação disso tudo. Está se perdendo essa guerra de comunicação", avaliou o senador. 

O presidente teria feito comentários sobre a predominância dos discursos da oposição na Câmara contra a reforma, frente ao silêncio de muitos governistas. "Eu disse que aqui no Senado estamos seguindo o mesmo caminho. Está faltando escala de revezamento de líderes e membros do partido na tribuna. O problema não é só no plenário, mas também o conjunto de inverdades que circulam na internet", avaliou.

Temer teria dito que a oposição "começou" com discurso do golpe, em decorrência do impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff, depois contra a reforma do Ensino Médio, em seguida PEC do teto de gastos, e todos teriam sido enfraquecidos após a aprovação das propostas no Congresso. "Ele considera que vai ser mesma coisa quando a reforma da Previdência for aprovada, o discurso da oposição vai perder força e vão ter que procurar outro tema."

Temer usou a sua experiência como parlamentar para estimular aliados que temem perder aprovação popular por apoiarem a reforma da Previdência. O presidente lembrou que foi relator da Previdência no governo de Fernando Henrique Cardoso e que conseguiu se reeleger na eleição subsequente com mais votos do que no pleito anterior.

Sobre o resultado da votação da terceirização na Câmara, na semana passada, Temer minimizou a vitória "apertada" no plenário. "Ele disse que não era um projeto do governo. Não acha que foi vitória apertada porque não houve envolvimento direto do governo como na Previdência", afirmou Cássio.

Durante a reunião, hoje, o senador Cidinho Santos (PR-MT) sugeriu que Temer sancionasse "o mais rapidamente possível" a proposta da terceirização, mas o peemedebista não comentou o assunto. "Houve um consenso dos senadores de que Temer tem que sancionar esse projeto o mais rápido possível. O projeto de terceirização aprovado na Câmara ficou engavetado aqui dois anos. Agora que a Câmara aprovou outra proposta, querem votar o que está no Senado a toque de caixa, querem promover o bis lex, uma lei dupla", criticou Cássio.

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