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Temer anuncia ministérios nesta tarde; confira os nomes da equipe econômica

Henrique Meirelles assume o Ministério da Fazenda e o economista-chefe do Itaú, Ilan Goldfajn, vai para o Banco Central

O Estado de S.Paulo

12 de maio de 2016 | 15h48

BRASÍLIA - O ministério do governo Michel Temer será anunciado na tarde desta quinta-feira, 12, em pronunciamento no Palácio do Planalto. Ele já assinou a notificação do Senado e já é o Presidente da República em exercício. Confira abaixo os principais nomes da equipe econômica.

Fazenda (Incorpora Previdência): Henrique Meirelles (PSD/SP)

Com uma carreira de destaque no sistema financeiro, Meirelles chegou a presidente internacional do BankBoston. Na vida pública, foi presidente do Banco Central de 2003 a 2010. Agora, depois de quase cinco anos e meio afastado do governo, Meirelles volta para assumir a economia brasileira na pior recessão desde a década de 1930 e num governo de transição.

A tarefa principal é fazer um ajuste fiscal maior do que qualquer outro pelo qual o Brasil tenha passado em décadas. Nas contas do mercado, algo entre 4% a 6% do PIB, ou de aproximadamente R$ 250 bilhões a R$ 350 bilhões. A estratégia terá de combinar extrema dureza, para fazer o máximo possível de esforço fiscal no primeiro momento, e habilidade política extraordinária para passar duras reformas de restrições de direitos num horizonte apenas um pouco maior. O futuro ministro da Fazenda já defendeu, após ser indicado por Temer, limites legais ou constitucionais da trajetória do gasto público.

Banco Central: Ilan Goldfajn (sem status de ministério)

O economista-chefe do Itaú Unibanco deve assumir o Banco Central em junho sem status de ministro, como é atualmente. Ilan foi diretor de Política Monetária do Banco Central durante a gestão de Armínio Fraga, cotado inicialmente para ministro da Fazenda de Temer.

Tesouro Nacional: Mansueto Almeida

O economista Mansueto Almeida foi coordenador-geral de Política Monetária e Financeira na Secretaria de Política Econômica no Ministério da Fazenda (1995-1997), assessor da Comissão de Desenvolvimento Regional e de Turismo do Senado Federal (2005-2006) e Assessor Econômico do Senador Tasso Jereissati.

Planejamento - Romero Jucá (PMDB/RR)

O senador Romero Jucá (PMDB-RR) deu início ontem ao processo de transição com Nelson Barbosa, ex-ministro da Fazenda de Dilma. O peemedebista foi pessoalmente ao ministério para obter um panorama das medidas emergenciais a serem tomadas no início da gestão Temer. Segundo apurou o Estado, a reunião ocorreu a pedido de Jucá. Eles discutiram a necessidade de aprovar a mudança da meta fiscal até o fim do mês para evitar a paralisação da máquina pública por conta de um novo contingenciamento do Orçamento deste ano. A equipe de Barbosa apresentou ao senador as estimativas que fizeram para o próximo relatório bimestral de avaliação de receitas e despesas, com novas projeções para a arrecadação, gastos e PIB. Caberá à nova equipe econômica referendá-las ou não.

Relações Exteriores (incorpora Apex - Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos): José Serra (PSDB/SP)

O senador José Serra, que foi ministro do Planejamento e da Saúde no governo FHC, vai assumir a pasta sem o status de "superministro". A ideia original de Temer era extinguir o Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (Mdic), passando a parte de comércio para o Itamaraty e o restante da estrutura, inclusive do BNDES, para o Planejamento. Mas a ideia sofreu resistência das entidades representativas da indústria. Agora, a pasta vai receber a Apex, que promove eventos mundo afora para vender produtos brasileiros.

Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (Mdic): Marcos Pereira (PRB)

O presidente do PRB, advogado e bispo licenciado Marcos Pereira negociou com Temer o espaço do partido, que tem bancada evangélica. O PRB negou o Ministério da Previdência e a Secretaria dos Portos e tentava conquistar a Agricultura. Pereira também foi cotado para assumir o Ministério de Ciência e Tecnologia.

Agricultura, Pecuária e Abastecimento: Blairo Maggi (PP/MT)

Escolhido para o Ministério da Agricultura, Senador Blairo Maggi (PP/MT),  é gaúcho, natural de Torres (RS), mas foi no Mato Grosso que se consagrou como “rei da soja”.  No estado do Centro-Oeste, Maggi, governou por duas vezes e montou seu império André Maggi em Cuiabá. Filho de produtores rurais de descendência, Blairo graduou-se em Agronomia na Universidade Federal do Paraná.

Maggi deixou o PR e se filiou ao PP na última quarta-feira (11) para viabilizar sua indicação para o comando do Ministério da Agricultura, após ser convidado pelo presidente nacional do partido, o senador Ciro Nogueira (PI). Além da indicação para Agricultura, o dirigente também vislumbra que o futuro ministro possa ser o candidato do PP para as eleições presidenciais de 2018.

Transportes (Incorpora Aviação Civil e Portos): Maurício Quintella (PR/AL)

O atual deputado federal, Maurício Quintella Lessa (PR/AL), escolhido de Temer para assumir a pasta de Transportes é um advogado alagoano, nascido em 1971. Quintella já foi deputado federal quatro vezes e na sua última eleição recebeu mais de 70 mil votos. Na votação do impeachment na Câmara, o político contrariou a orientação da direção do PR e deixou a liderança para votar a favor do afastamento.

Maurício Quintella foi eleito vereador pela primeira vez em 1996 e já assumiu a presidência da Câmara de Vereadores e a Secretaria de Educação do Estado de Alagoas.

Comunicações, Ciência e Tecnologia: Gilberto Kassab (PSD/SP)

Gilberto Kassab é economista, engenheiro civil, empresário e fundador do PSD. Kassab nasceu em São Paulo e foi prefeito da cidade por duas vezes entre 2006 e 2012. Na primeira vez, assumiu após a renúncia de José Serra para se candidatar ao governo do Estado de São Paulo. Na segunda, foi eleito no 2º turno.  O indicado de Temer para a pasta foi ministro das Cidades do governo Dilma, mas se demitiu com a decisão da bancada do PSD na Câmara dos Deputados de votar pelo impeachment da presidente.

Kassab é o quinto de sete filhos do médico libanês Pedro Salomão José Kassab e da professora Yacy Palermo. Iniciou na política aos 25 anos e, ainda na universidade, participou do Fórum de Jovens Empreendedores da Associação Comercial de São Paulo (FJE-ACSP). Gilberto Kassab também faz parte da Federação das Associações Comerciais de São Paulo, do Sindicato da Habitação (Secovi) e do Conselho Regional de Corretores de Imóveis (Creci).

Trabalho: Ronaldo Nogueira (PTB/RS)

Natural de Carazinho (RS), Ronaldo Nogueira é formado em Administração de Empresas e pastor da Igreja Evangélica Assembleia de Deus. O deputado federal pelo Partido Trabalhista Brasileiro do Rio Grande do Sul também é vice-presidente nacional de Segurança Pública do partido. Nogueira ainda é membro do Conselho da Comunidade de Carazinho e do Grupo de Apoio à Polícia Civil.

Secretaria Especial de Investimento: Moreira Franco (PMDB/RJ)

O papel de Moreira Franco, que não terá status de ministro na estrutura enxuta formulada por Temer, é trazer para o Brasil os recursos que estão circulando no mundo à cata de bons negócios. Será um programa inspirado no Plano de Metas de Juscelino Kubitschek (1956-1961), que estabelecia objetivos para investimentos em infraestrutura e a industrialização.

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