Marcos Corrêa/PR
Marcos Corrêa/PR

Temer avisa que não cederá mais na Previdência

Ontem, após reunião com aliados, presidente afirmou que base terá de trabalhar para aprovar o texto atual da reforma e pediu ‘empenho máximo’

Tânia Monteiro e Daiene Cardoso | BRASÍLIA, O Estado de S. Paulo

24 de abril de 2017 | 05h00

Depois de mais de três horas de reunião convocada de última hora, no Palácio do Jaburu, o presidente Michel Temer avisou a ministros e líderes do governo que não há mais espaço para ceder a pedidos de categorias que insistem em ter seus benefícios mantidos na reforma da Previdência.

O ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, que voltou de Washington após a reunião do Fundo Monetário Internacional (FMI), participou do encontro e reiterou que “há uma enorme expectativa” com a aprovação do texto.

“Não há espaço para concessão”, disse o líder do governo, Aguinaldo Ribeiro (PP-PB). “O relatório do relator é que vai vingar”, emendou o ministro-chefe da Secretaria Geral da Presidência, Moreira Franco.

Para assegurar que nenhum nova brecha será aberta para atender categorias que estão pressionando o governo para manter seus privilégios, depois de concessões feitas na semana passada, Temer anunciou que vai convocar os ministros políticos para uma outra reunião, nesta segunda-feira, 24, às 17 horas, no Palácio do Planalto. Ele quer “empenho máximo” dos ministros e líderes no convencimento às suas respectivas bancadas para aprovar o texto, seguindo os cronogramas traçados, sem novos atrasos.

Ao defender a aprovação do texto como está no relatório, Temer enfatizou que “o texto foi construído fruto do diálogo com os partidos da base aliada” e “todos são responsáveis”.

O governo quer pressa na aprovação não só do texto da Previdência, a partir de 2 de maio, na comissão Especial, mas da reforma trabalhista, esta semana.

Além de Temer, Meirelles, Moreira e Aguinaldo, participaram da reunião no Jaburu o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), o líder do governo no Congresso, deputado André Moura (PSC-SE) e o ministro Antonio Imbassahy (Governo), Moreira Franco (Secretaria Geral da Presidência) e Henrique Meirelles (Fazenda). O líder da Maioria na Câmara, deputado Lelo Coimbra (PMDB-ES), também participou do encontro.

Na reunião, Meirelles, disse que no exterior a maioria das conversas foram em torno da necessidade de aprovar a reforma da previdência para a economia voltar a crescer. Para ele, a aprovação da reforma será “um divisor de águas” para o Brasil.

Segundo Coimbra, a reunião foi para fazer um “ajuste de procedimentos”. “Estamos no aquecimento. A base estava um pouco solta”, disse o deputado.

A reforma trabalhista deve ser votada na terça-feira, 25, na comissão e ir para o plenário no dia seguinte. Não está descartada a possibilidade de o governo pedir que os partidos da base aliada fechem questão para garantir os 308 votos na reforma.

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