André Dusek|Estadão
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Temer comunica reabertura do Irã à carne brasileira, mas país não havia embargado o produto

Presidente atribuiu o fato ao trabalho do ministro da Agricultura, Blairo Maggi; país, no entanto, havia apenas pedido informações ao Brasil após operação da PF

Gustavo Porto, Anne Warth, O Estado de S.Paulo

29 de março de 2017 | 17h53

BRASÍLIA - O presidente Michel Temer anunciou que o Irã havia retomado as importações de carne brasileira, mas o país nunca chegou a embargar o produto. Em discurso durante assinatura do decreto que regulamenta a inspeção de produtos de origem animal, Temer comemorou e atribuiu o fato ao trabalho do ministro da Agricultura, Blairo Maggi. No entanto, o Irã havia apenas solicitado informações ao Brasil.

“Ainda hoje, o escritório do Irã no Brasil nos informou a reabertura do mercado brasileiro”, disse Temer. “São US$ 380 milhões (em exportações anuais de carne brasileira ao país), um mercado importantíssimo. Logo teremos novos anúncios.” Temer disse que os problemas criados para a carne brasileira foram criados de maneira “quase artificial”.

Em seguida, durante entrevista coletiva, o secretário de Defesa Agropecuária, Luiz Rangel, esclareceu que não houve embargo oficial do Irã à carne brasileira. O ministro da Agricultura, Blairo Maggi, explicou que, com o pedido de informações, os abates de animais destinados ao Irã foram suspensos e, agora, poderão ser retomados.

O ministro da Agricultura, Blairo Maggi, corrigiu o equívoco do presidente. "Tecnicamente não houve embargo do Irã à carne brasileira, houve suspensão dos abates", disse. Blairo explicou que pelo fato de o Irã ser um país islâmico e ter um procedimento de abate diferenciado, chamado de halal, que é feito pelos próprios membros dessa religião dentro dos frigoríficos, o processo foi suspenso durante a Operação Carne Fraca.

O ministro, que participou de um evento de assinatura do novo Regulamento da Inspeção Industrial e Sanitária de Produtos de Origem Animal (Riispoa), disse que a Operação Carne Fraca não influenciou no decreto assinado hoje por Temer.

Blairo reafirmou que, apesar do fim das suspensões de importações anunciado por vários países, a União Europeia (UE) ainda cobra explicações do governo brasileiro sobre as investigações em frigoríficos envolvidos e ainda a ação de fiscais agropecuários. "A União Europeia quer saber a extensão de envolvimento dos 33 técnicos do ministério", relatou.

O ministro confirmou ainda que ele e o secretário executivo do Ministério da Agricultura, Eumar Novacki, farão missões a grandes países importadores de carne brasileira.

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