AFP PHOTO/NELSON ALMEIDA
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Temer culpa inflação e queda na arrecadação por rombo de R$ 159 bi

O presidente disse ainda que, com as medidas anunciadas nesta terça-feira, foi possível barrar um aumento de impostos

Daniel Galvão, Gilberto Amendola e Marcelo Osakabe, O Estado de S.Paulo

16 Agosto 2017 | 18h03

O presidente Michel Temer defendeu nesta quarta-feira, 16, a mudança da meta para o déficit primário do setor público deste ano e do próximo para R$ 159 bilhões, anunciada na terça-feira, 15, pela equipe econômica.

Segundo o peemedebista, que discursou durante a 18ª Conferência Anual do banco Santander, em São Paulo, houve uma queda da arrecadação este ano, provocada tanto pela desaceleração da inflação como pela dificuldade em aprovar um novo programa de refinanciamento de dívidas (Refis).

"Quando há queda da inflação, que está em menos de 3,0% agora, também cai a arrecadação. De resto, formatamos uma medida provisória (MP) de Refis que estabelecia certos padrões, mas o Congresso modificou radicalmente a proposta", disse o presidente, acrescentando que, enquanto governo e parlamentares não entram em acordo, as empresas que esperam o programa para saldar suas dívidas deixaram de pagar o governo.

"Ontem, após três, quatro dias de discussão, os ministros Meirelles (Fazenda) e Dyogo (Planejamento) anunciaram a nova meta, que ficou nos mesmos R$ 159 bilhões do ano passado", minimizou.

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Apesar da revisão para cima do déficit para este e o próximo ano, o presidente salientou que houve também anúncios no sentido contrário, como o corte de 60 mil cargos do serviço público federal e o adiamento do reajuste de várias categorias do serviço público. Ele ponderou ainda que, "se inflação cai, o salário vale mais".

O presidente disse ainda que, com as medidas anunciadas foi possível barrar um aumento de impostos, como setores do próprio governo chegaram a cogitar nas últimas semanas. "Confesso que sempre tive resistência a aumentar impostos para qualquer categoria", declarou.

No evento, o presidente procurou reiterar o compromisso do governo em recuperar as contas públicas, bem como o de aprovar as reformas da Previdência e tributária. No caso da reforma política, continuou, o tema vem sendo tocado pelo Congresso. "O Legislativo é parceiro" em seu governo, ressaltou. "Trabalhamos juntos para governar juntos".

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Em tom de crítica, Temer disse que o "Brasil tem uma vocação centralizadora e que o povo parece gostar dessa centralização". Nesse sentido, segundo o próprio presidente, o seu governo estaria quebrando esse paradigma centralizador e trabalharia para "quebrar esse ciclo histórico de que a cada 25, 30 anos haveria a necessidade de um novo Estado". Temer afirma que o que é preciso é seguir as diretrizes da Constituição de 1988 e "continuar com as adequações modernizantes da estrutura governativa, econômica e social".

No final do evento, o presidente disse para os presentes que saíssem de lá com a "alma inflamada" e divulgassem suas ideais e os benefícios das reformas.

O presidente do Santander Brasil, Sérgio Rial, elogiou o presidente dizendo que, com Temer houve, uma "mudança importante na doutrina econômica".

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