Temer defende ganhos políticos com exclusão de servidores da reforma da Previdência

Presidente afirmou ao Estado que retirada de funcionários estaduais e municipais da proposta dará celeridade aos trabalhos

Eliane Cantanhêde, O Estado de S.Paulo

22 de março de 2017 | 17h31

A exclusão dos servidores públicos estaduais e municipais da proposta da reforma da Previdência deve render ganhos políticos e dar celeridade à tramitação do projeto no Congresso, defendeu o presidente Michel Temer em entrevista ao Estado nesta quarta-feira, 22.

Temer afirmou que a exclusão faz com que governadores tenham de participar de forma mais ativa do processo de ajuste fiscal e reduz a pressão sobre deputados e senadores em um ano pré-eleitoral. Veja mais a seguir.

O presidente anunciou a mudança no texto na noite de terça-feira, 21, e afirmou que tomou a decisão após várias reuniões com parlamentares nos últimos dias. Nesses encontros, segundo ele, "surgiu com grande força" a ideia de que a União deveria respeitar a autonomia dos Estados e municípios, fortalecer o "princípio federativo" e fazer com que a reforma atingisse apenas servidores federais. É o primeiro recuo oficial do governo na proposta.

"Vários Estados já providenciaram sua reformulação previdenciária. Seria uma relativa invasão de competência e não queremos neste momento levar adiante", disse, citando como exemplo categorias de policiais civis e professores. "Funcionários estaduais e municipais, de forma geral, dependerão da manifestação de seus governos estaduais e municipais", disse Temer.

Os servidores públicos fazem parte do grupo mais articulado no Congresso no lobby contra a reforma da Previdência. A decisão do presidente pode abrir novos precedentes de mudanças, já que várias categorias de servidores federais também pedem para ficar de fora da Proposta de Emenda à Constituição (PEC), entre eles juízes e procuradores do Ministério Público. (Com Anne Warth, Adriana Fernandes, Tania Monteiro)

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