André Dusek/Estadão
André Dusek/Estadão

Temer demite presidente e diretores do Serpro

Exoneração de parte da diretoria foi a primeira etapa de um pente-fino que governo em exercício quer fazer na estatal de tecnologia

Adriana Fernandes, Murilo Rodrigues Alves, O Estado de S.Paulo

24 de maio de 2016 | 05h00

BRASÍLIA - A demissão do presidente e de quatro dos seis diretores do Serviço Federal de Processamento de Dados (Serpro), publicada ontem no ‘Diário Oficial’ da União, foi o primeiro passo de um amplo pente-fino que o governo do presidente em exercício, Michel Temer, deve fazer na estatal que presta serviços em tecnologia da informação ao setor público e está vinculada ao Ministério da Fazenda.

Segundo apurou o Estado, há uma avaliação no governo de que a empresa foi aparelhada politicamente depois de nove anos sob o comando de Marcos Vinícius Ferreira Mazoni.

A troca de comando no Serpro já era dada como certa desde que Temer assumiu a Presidência e Henrique Meirelles foi escolhido para o Ministério da Fazenda, com autonomia para formar sua equipe. O ex-ministro da Fazenda Joaquim Levy tentou, sem sucesso, fazer as mudanças, que agora foram efetivadas.

No último fim de semana, já sabendo que seria demitido, Mazoni usou sua conta do Twitter para fazer ataques ao governo. Ele chamou o governo Temer de “golpista” e de “canalha”. “Estou preocupado… Ainda não fui exonerado deste governo de canalhas”, tuitou. “Nenhum dos golpistas teve coragem de falar comigo… São golpistas e sem coragem”, foi outra postagem dele.

A diretoria do Serpro é formada por sete integrantes, incluindo o diretor-presidente e o diretor-superintendente. Mazoni estava no comando do órgão desde maio de 2007. Ele será substituído por Maria da Glória Guimarães dos Santos.

Os outros quatro dirigentes exonerados por Temer e Meirelles foram Alexandre Motta, que atuava como diretor-superintendente, Antônio João Pereira, Wilton Mota e Robinson Margato Barbosa. Além da nova presidente, foram nomeados três novos diretores para o Serpro: André de Cesero, Iran Porto Júnior e Isabel Freitas.

Irregularidades já foram encontradas no fundo de pensão dos funcionários da empresa, Serpros. No fim do mês passado, a Superintendência Nacional de Previdência Complementar (Previc), órgão que supervisiona os fundos de pensão, encerrou o processo de intervenção no fundo Serpros.

O Estado apurou que a atitude do xerife dos fundos de pensão evitou prejuízo de R$ 180 milhões. A intervenção estava prevista para durar seis meses, mas se estendeu por um ano. Ex-dirigentes do Serpros foram punidos com multas e inabilitações e tiveram bens bloqueados.

Durante o processo de intervenção, o fundo provisionou R$ 160 milhões. Também foi feita uma reestruturação da carteira, com a liquidação de dois fundos que mantinha em carteira própria para gerar uma economia de R$ 100 mil com pagamentos de taxas administrativas e custódias. / COLABOROU LUCI RIBEIRO

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