Andre Dusek|Estadão
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Temer deve ser beneficiado por voto de confiança do setor privado, diz S&P

Apesar do apoio inicial, agência de classificação diz que equipe interina precisa entregar resultados

Marcelo Osakabe, O Estado de S.Paulo

13 de maio de 2016 | 16h24

A administração do presidente em exercício Michel Temer deve ser beneficiada por um voto de confiança inicial do setor privado, afirma a Standard & Poor's em relatório. Segundo a agência de classificação de risco, esse primeiro apoio será concedido com base no peso de sua equipe econômica, que inclui nomes como Henrique Meirelles, ex-presidente do Banco Central, no Ministério da Fazenda, e, potencialmente, Ilan Goldfajn na presidência do BC, além de sinalizações políticas dadas anteriormente pelo próprio Temer.

"Dito isto, é crucial que sua equipe entregue resultados. Como vimos no primeiro ano do segundo mandato da presidente Dilma, a capacidade para aprovar medidas políticas dependerá do apoio firme do presidente, da coesão de seu entorno e da capacidade para angariar apoio do Congresso", diz o relatório.

"Novamente, essas condições parecem existir, uma vez que o vice-presidente assume com apoio aparentemente amplo do Legislativo. No entanto, dados os desafios econômicos e a necessidade de aprovar medidas impopulares tanto do lado das receitas quanto das despesas, o apoio dos políticos pode diminuir. Isso pode acontecer em caso de menor apoio popular, uma oposição efetiva do PT e o risco de que as investigações de corrupção atinjam membros da administração interina", prossegue a S&P.

Os desafios enfrentados por Temer são similares aos de Dilma Rousseff e incluem a restauração da credibilidade política, a retomada da trajetória de crescimento e a reversão da deterioração fiscal. A S&P acredita que a economia deve ter contração de 3,6% e registrar um déficit do governo de cerca de 10,0% neste ano. O déficit primário deve atingir 1,5% do Produto Interno Bruto (PIB) e a dívida bruta do país deve chegar próximo de 60% do PIB. "Não será uma tarefa fácil corrigir esta deterioração em meio à fraqueza da economia e ao alto grau de rigidez fiscal do Orçamento brasileiro", diz a nota.

A perspectiva negativa para a nota BB do Brasil reflete a percepção da S&P de que os riscos permanecem inclinados ao lado negativo, com uma possibilidade maior que uma em três de um novo rebaixamento ocorrer até o próximo ano. "Com o processo de impeachment e as investigações de corrupção ainda em andamento, a dinâmica política continua sujeita a reveses. Estes sublinham o desafio que é não apenas aprovar, mas executar a correção da política fiscal", afirma a S&P. O fracasso em estabilizar o crescimento ou uma fragilização do ambiente externo também pode contribuir para um downgrade.

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