Dida Sampaio/Estadão
Dida Sampaio/Estadão

Temer diz que é mentira que reforma da Previdência vai atingir os mais pobres

Presidente afirmou que os que resistem e fazem campanha contra as mudanças são os mais poderosos

Carla Araujo e Tânia Monteiro, Broadcast

18 de abril de 2017 | 13h35

BRASÍLIA - Em discurso a deputados da base aliada durante café da manhã para a apresentação do texto da reforma da Previdência, o presidente Michel Temer disse que "ninguém quer fazer mal para o País" e rebateu a tese de que as mudanças na aposentadoria irão prejudicar os mais pobres. "Muitas vezes, dizem assim, mas essa reforma da Previdência vai pegar os pobres. Vou usar uma palavra forte: mentira. Mentira, porque 63% do povo brasileiro ganha salário mínimo, portanto, não vai atingir os pobres", disse, conforme áudio divulgado pelo Planalto após o encontro. "Os que resistem e fazem campanha são os mais poderosos. São aqueles que ganham mais. Temos que dar uma resposta a isso", afirmou.

O discurso do presidente reforça o mote das peças publicitárias que o governo vai estrear nesta terça, 17, comparando "a novidade" da reforma da Previdência a outras medidas como o uso obrigatório do cinto de segurança, vacinas e a privatização da telefonia e até ao Plano Real.

Temer disse que a proposta da reforma da Previdência foi feita pensando em um cenário de 40 anos no País, mas, "sabendo que o diálogo seria indispensável com o Congresso", e que depois de ouvir todas as bancadas e as principais observações o governo aceitou negociar. "Sendo certo que a reforma tem um núcleo essencial que é o da idade, um pouco mais, um pouco menos, não importa, mas é algo que foi estabelecido em todos os países", afirmou.

O presidente comparou a situação do Brasil a outros países e disse que somente "três ou quatro" não possuem uma idade mínima. "Essa é a espinha dorsal, o núcleo da reforma da Previdência. O mais pode ser negociado. E foi negociado", disse, sem destacar que o governo aceitou reduzir a idade mínima das mulheres para 62 anos.

Resistência. Ao agradecer o apoio que os parlamentares têm dado ao governo e apelar pela aprovação da reforma da Previdência, no café da manhã, no Palácio da Alvorada, o presidente Michel Temer disse que "o governo só resistiu porque nós estamos trabalhando juntos, o Executivo e o Legislativo". E desabafou: "eu tenho resistido o quanto posso". Em seguida, sem se referir diretamente às investigações da Operação Lava Jato, que atingiram todos os setores, Temer emendou: "não podemos nos acoelhar". Ele reconhece que existe uma "situação delicada", mas ressalvou: "(Situação) delicada, deixemos para o Judiciário e, no mais, o Executivo e o Legislativo trabalham".

Para o presidente, os deputados e senadores devem "se revezar" na tribuna que dispõem para se defenderem e defender as reformas. De acordo com o presidente, a tribuna do Congresso é "muito mais forte" do que a sua e sugeriu aos parlamentares que não deixassem de usar esta tribuna "para mostrar o que vocês estão fazendo, em nome do País" porque "sem embargo das dificuldades, nós temos de dar prova de trabalho, que virá pela aprovação dessas reformas".

No discurso aos deputados, Temer ainda fez questão de agradecer ao apoio que têm recebido do Congresso. E insistiu pedindo a todos que resistam aos ataques que a classe política está sendo alvo e que defendam o governo e a categoria.

Depois de salientar que tem resistido quanto pode, o Temer falou sobre sua estratégia de defesa. "Ultimamente dou entrevistas, falo, etc, para dizer aquilo que o Brasil precisa. Não se pode ter a ideia de que, porque aconteceu isso ou aquilo, o Brasil pode parar", comentou. "Porque também, se ficarmos em silêncio, é claro há um problema sério no país, vocês sabem disso, as questões mais variadas que muitas e muitas vezes visam desprestigiar a classe política e nós todos precisamos resistir", acrescentou ele, após salientar que os que estão no Executivo e no Legislativo "serão os produtores da reconstrução do País, da reformulação do País". E emendou: "por isso, acho que nós, a todo momento, temos que vocalizar esta ideia".

 

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