Daniel Teixeira/Estadão
Daniel Teixeira/Estadão

Temer diz que é preciso 'controlar a ansiedade' quanto à crise

Em evento com empresários, presidente afirmou que problemas não se resolvem em seis meses

Francisco Carlos de Assis, Álvaro Campos, O Estado de S.Paulo

01 Dezembro 2016 | 20h34

O presidente da República, Michel Temer, dedicou parte de sua palestra em evento do J.P. Morgan, em São Paulo, para pedir à sociedade que controle a ansiedade em torno da celeridade por resultados rápidos no âmbito econômico. "Há certa ansiedade para que tudo se resolva em quatro, cinco, seis meses. Historicamente, economia e política em qualquer país não se resolvem em seis meses. A ansiedade precisa ser controlada. É preciso que haja serenidade, paciência em relação aos fatos que ocorrem em nosso País", disse o presidente.

Ainda de acordo com Temer, "não há uma vara de condão que recupere da noite para o dia uma economia que foi golpeada por alguns anos por uma  política equivocada".

Segundo Temer, primeiro é preciso enfrentar a recessão para depois a economia começar a crescer. "O que estamos precisando fazer, para usar uma palavra singela, é por a casa em ordem. Para isso é preciso ter alguns pressupostos para tirar países da recessão", disse, acrescentando que há no País certa unidade no governo para enfrentar a recessão.

Temer voltou a afirmar que quando assumiu o governo registrava um déficit orçamentário de R$ 96 bilhões, que depois se verificou que era de R$  170,5 bilhões. "Hoje se fala bilhões como se fosse nada, mas falar em um déficit de R$ 170,5 bilhões é uma coisa extremamente preocupante", afirmou. 

Limite de gastos. Temer afirmou também que a PEC do Teto, aprovada em primeiro turno no Senado, vai ajudar o Brasil a crescer e "tirar dos ombros da sociedade o peso de uma dívida pública descontrolada". 

Segundo o presidente, o governo está "colocando a casa em ordem", não só no âmbito da União, mas também de Estados e municípios. Ele disse ainda acreditar que os juros no Brasil devem cair gradualmente, mas logo acrescentou que não falaria muito sobre o assunto porque este tema é da alçada do Banco Central. "Pouco a pouco, com responsabilidade, em dado momento deve cair. Eu não dou palite porque esse tema é coisa do BC, mas eleva a ideia de eficiência", comentou.

Temer ressaltou ainda que o governo tem um apoio "estupendo" do Congresso, o que é demonstrado pela votação da PEC do Teto, que teve votos além do mínimo necessário na Câmara e no Senado.

Ele disse que governa com vistas à responsabilidade fiscal, mas também social. Nesse ponto, citou a prorrogação do Minha Casa, Minha Vida, com mais 75 mil unidades a partir do próximo ano. "Criamos o cartão reforma, inicialmente com R$ 500 milhões para o programa, mas logo vai chegar a R$ 1 bilhão, R$ 1,5 bilhão", acrescentou. O presidente afirmou ainda que em breve o governo deve lançar um programa para regularização fundiária em áreas urbanas.

Ele também lembrou o leilão da Celg-D, citando o ágio de 28% como prova do sucesso do certame, e disse que acredita no bom avanao do programa de concessões do governo.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.