Andre Dusek/ Estadão
Andre Dusek/ Estadão

Temer diz que quem for contra o governo terá de dizer: 'Sou contra essa inflação ridícula de 3%'

No discurso, Temer defendeu, por exemplo, a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que estabeleceu um teto para os gastos públicos

Equipe AE

07 Maio 2018 | 14h40

Ao abrir nesta segunda-feira encontro do setor supermercadista em São Paulo, o presidente Michel Temer aproveitou a plateia de empresários para reforçar o discurso pré-eleitoral e mandar um recado a adversários do governo. Fazendo uma defesa enfática do legado de sua administração, Temer empenhou-se em reforçar sucessivamente as falas do ex-ministro e presidenciável do MDB Henrique Meirelles, que o acompanhou no evento.

No discurso, Temer defendeu, por exemplo, a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que estabeleceu um teto para os gastos públicos. "Quem se opõe o governo tem que dizer: 'Primeiro, eu sou contra a emenda dos gastos públicos. Quero gastar tudo o que posso'", declarou o presidente, para a plateia de empresários que integram a Associação Brasileira de Supermercados (Abras) e a Associação Paulista de Supermercados (Apas).

"Quem vai se opor ao governo tem que dizer: olha, sou contra essa inflação ridícula de menos de 3%. Tem que dizer, olha, eu quero 11%. Sou contra essa taxa Selic de 6,5%. Acho melhor aquela de 14,75%.

Temer voltou a reivindicar o crédito, também, pela recuperação de empresas estatais, tais como o Banco do Brasil e a Petrobrás. "Lembrem-se que a Petrobrás, dois ou três anos atrás, era quase um palavrão." Temer ressaltou que o governo seguirá na tarefa de reerguer o País. Acrescentou, entretanto, que o sucesso da iniciativa depende de "animação".

O presidente comparou o Brasil à Argentina, lembrando que a inflação no país vizinho atinge a marca de 25%, enquanto a taxa de juros está em 40%. "O Meirelles disse em seu discurso que nós fizemos em dois anos o que era para ter sido feito em oito anos (...). Mas com toda a modéstia de lado, eu acho que em dois anos fizemos o que se esperava em 20 anos", disse Temer.

O presidente ressaltou o fato de não ter aumentado impostos desde que assumiu. E mandou um recado aos críticos do governo. "Nós temos dois anos de governo e não houve aumento de impostos. Quando chegamos, falava-se muito na CPMF, e nós tem tocamos no assunto", disse Temer, em referência à Contribuição Provisória sobre a Movimentação Financeira, cuja recriação vinha sendo estudada no fim da gestão da ex-presidente Dilma Rousseff.

Em um afago aos empresários, Temer disse que os resultados alcançados em seu governo não se devem apenas à administração federal, mas reflete também a atuação da iniciativa privada. Dizendo ter tomado uma "injeção de ânimo" ao participar do evento da Abas,

"O Brasil tem que se orgulhar daquilo que está acontecendo no nosso Brasil. Mas isso não se deve apenas à ação do governo. Até acho que é menos à ação do governo e mais à ação da iniciativa privada", disse, acrescentando que os supermercados, em especial, servem de termômetro para a economia.

"Os senhores podem se preparar para vender cada vez mais. Porque a confiança na economia está de volta. O Brasil, com todas as dificuldades, retomou o caminho do crescimento. E não é qualquer crescimento. É um crescimento responsável. É um crescimento que se sustenta no tempo. Como disse o Meirelles, nós não produzimos medidas populistas. Produzimos medidas responsáveis", disse Temer.

Mais conteúdo sobre:
Michel Temerinflação

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.