Beto Barata/PR
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Temer diz que relator 'amenizou enormemente' projeto inicial da reforma da Previdência

Presidente participou de almoço com governadores, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia, e o relator da reforma, o deputado Arthur Oliveira Maia (PPS-BA)

Carla Araújo e Tânia Monteiro, O Estado de S.Paulo

25 de abril de 2017 | 20h34

BRASÍLIA - O presidente Michel Temer disse, em discurso durante almoço com governadores e ministros na casa do presidente da Câmara Rodrigo Maia, que o relator da reforma da previdência, Arthur Oliveira Maia (PPS-BA), "negociou e amenizou enormemente aquele projeto inaugural" e que com o novo texto o projeto precisa ser aprovado no Congresso. 

"Nós mandamos uma reforma completa, digamos assim. Mas sabedores democraticamente de que o Congresso , que é o filtro das aspirações populares, iria naturalmente fazer uma série de propostas, como foram feitas", afirmou o presidente, conforme áudio distribuído pela assessoria de imprensa do Planalto. "O relator percorreu todas as bancadas, ouviu as observações todas, trouxe as observações todas e eu disse: pode negociar", afirmou. 

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Sem mencionar a flexibilização da idade mínima para mulheres, que ficou em 62 anos contra 65 dos homens, o presidente disse que "linha mestra da reforma é exatamente a questão da idade" e que Oliveira Maia  "negociou e amenizou enormemente aquele projeto inaugural". "Houve uma adequação, um ajustamento daquele projeto original, que não é o mesmo, portanto é um outro projeto", disse. "Então não há mais razão pra que se diga que não se deve aprovar a reforma da Previdência", completou. 

Temer disse ainda que é preciso combater "as inverdades que se dizem em relação a previdência. "Daí porque esse núcleo é muito importante que os senhores reproduzam também manifestações perante os seus liderados", apelou aos governadores. 

Apesar do pedido, em outro trecho de sua fala, Temer rechaçou que a reunião era para pedir apoio e disse que ela era para explicar a necessidade da reforma. "E como disse muito bem o Rodrigo (Maia), não é para pedir o apoio de ninguém. É para explicar um pouco como caminhou a reforma previdência até agora", afirmou. "Nós precisamos fazer isso porque é importante para o Brasil. Nós temos exemplos concretos, palpáveis objetivos, dimensionáveis como e o caso de alguns estados que estão com grandes dificuldades em função do problema previdenciário", completou.

Temer, que reuniu 13 governadores e três vices no encontro, disse ainda que eles podem juntos fazer a reconstrução do país, "independentemente de posições político-partidárias". "O que é preciso é a compreensão de que nós temos um problema sério no país e devemos solucioná-lo. Se não solucionarmos agora vamos ter que fazê-lo muito mais vigorosamente e talvez com maiores sacrifícios daqui a 2,3, no máximo 4 anos", disse. "Então o momento é de fazer essas reformas", ressaltou. 

Desafios. Temer afirmou ainda que a responsabilidade pela retomada do crescimento "é de todos" e que ele poderia ficar "comodamente" no lugar de presidente da República, mas decidiu enfrentar os problemas do país. "Convenhamos que poderíamos muito perfeitamente, comodamente, nos instalar na presidência e desfrutar do prazer de ser presidente da República. E dois anos e pouco tempo depois desfrutar historicamente ter sido presidente da República", afirmou, conforme áudio distribuído nesta noite pela assessoria de imprensa do Planalto. "Mas nós queremos mais. Nós queremos é recuperar o Brasil", completou. 

Temer afirmou que é preciso retomar uma cultura de que o "governo não é de um ou alguns, mas o governo é de todos". "E, sendo de todos, todos têm a mesma responsabilidade perante o povo brasileiro. E uma das responsabilidades fundamentais creio eu é, exata e precisamente, essas reformas que estamos fazendo ao longo do tempo", afirmou. 

Sem citar o nome de sua antecessora, Dilma Rousseff, o presidente disse ainda que apanhou um governo "em uma situação delicada, e fomos acertando pouco a pouco". "Mas para consertar é preciso medidas às vezes chamadas impopulares porque nós nos recusamos às medidas populistas", reforçou. 

Segundo Temer, as medidas populistas são irresponsáveis e são "aplaudidas amanhã e causam um prejuízo depois de amanhã". "Nós nos recusamos a isso. Nós tomamos medidas que achamos importantes  para o Brasil", afirmou, citando a PEC do teto dos gastos e as reformas trabalhista e previdenciária. 

Reconhecendo que o tema do encontro com governadores, em que Rodrigo Maia foi o anfitrião, Temer disse que não se tratava de "pedir o apoio de ninguém". "É para explicar um pouco como caminhou a reforma previdência até agora". Apesar disso, em outro momento do discurso acabou cedendo e apelou pela ajuda dos governadores. "E o que nós queríamos aqui, mais precisamente ao saudá-los mais uma vez, é dizer que precisamos muito desse apoio. Eu sei que os senhores têm a compreensão de que governadores têm as mesmas dificuldades que nós temos aqui na área federal, os prefeitos municipais".

Espanha. O presidente, que tem capitaneado a visita do primeiro-ministro da Espanha, Mariano Rajoy, também usou parte do discurso para exaltar o exemplo dado pelo premiê a favor das reformas. "Ele deu um depoimento extraordinário", disse. "Nós tivemos uma similitude muito grande na nossa atuação. A Espanha passou por um período dificílimo. Lá, eles tiveram que congelar o salário dos servidores e aposentados por cinco anos. Se eu fizer isso aqui, invadem o palácio, né?", comentou. 

Segundo Temer, mesmo com greves e protestos, Rajoy fez a reforma, a Espanha melhorou sua situação e ele foi reeleito. "(foi reeleito) Exata e precisamente por causa das reformas corajosas que ele empreendeu e que levantaram a Espanha", afirmou.

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